Chegou ao fim o sonho da revalidação do título europeu. Portugal perdeu por 1-0 com a Bélgica em Sevilha, nos oitavos de final do Euro2020 e está fora do torneio. Despede-se da prova com uma vitória, um empate e duas derrotas. Sete golos marcados e outros tantos sofridos.

Este domingo, no Estádio La Cartuja, a sorte, que noutras ocasiões tantas vezes sorriu às cores lusas, não esteve desta feita do lado de Fernando Santos e dos seus pupilos. É inegável. O remate de Rapahel Guerreiro ao poste, o desvio de André Silva que podia ter acabado no fundo das redes, o cabeceamento de Rúben Dias que saiu direito a Thibaut Courtois...foram oportunidades claras mais do que suficientes para Portugal chegar ao empate, depois de ter ido para o intervalo a perder por 1-0 devido a um golo de Thorgan Hazard aos 42 minutos, no único remate que a Bélgica fez na direção de Rui Patrício durante todo o jogo.

O Jogo: E se a estratégia inicial tivesse sido outra?

As estatísticas, porém, não dizem tudo. Portugal rematou mais e teve mais tempo de posse de bola, mas a primeira parte foi de iniciativa belga, com Portugal a responder, sobretudo, através de transições ditadas pelas arrancadas que são a imagem de marca do poço de força Renato Sanches, mesmo que nem sempre com o discernimento necessário.

E apesar de uma dessas arrancadas até ter resultado na primeira situação de perigo do jogo, desaproveitada por Diogo Jota, a verdade é que os campeões europeus em título demonstraram grandes dificuldades em controlar o jogo largo dos belgas, como tinha acontecido na derrota ante a Alemanha. Meunier e Thorgen Hazard, bem abertos nos flancos, criaram sempre dificuldades, tal como a qualidade técnica de De Bruyne e Eden Hazard e a força de Lukaku. Acabou por ser menos conhecido dos dois irmãos Hazard a marcar, perto do intervalo, num remate forte, de fora da área, que Rui Patrício não conseguiu travar.

Só no arranque da segunda parte, quando aos 55 minutos Fernando Santos mexeu na equipa para arriscar um pouco e fez entrar Bruno Fernandes e João Félix para os lugares de João Moutinho e de um desinspirado Bernardo Silva, Portugal assumiu realmente as rédeas do jogo.

Os lances de perigo junto da baliza adversária começaram, então, a surgir com uma frequência crescente.Diogo Jota, Rúben Dias (defesa feliz, mas espetacular, de Courtois), Raphael Guerreiro (de pé direito, à base do poste), André Silva e João Félix (estes dois também vindos do banco) tiveram, todos eles, boas oportunidades para marcar, com Portugal a encostar a Bélgica à sua grande área.

Prova de que, talvez, a estratégia indicada fosse esta, de mandar no jogo, e não a tradicional, dos últimos anos, de dar a iniciativa ao adversário. Sim, faltou sorte. Mas, diz o ditado, a sorte procura-se. E Portugal só a procurou verdadeiramente depois do 'Hazard'.

O momento: poste diz não ao pé direito de Raphael Guerreiro

Minuto 83. Portugal carrega. A bola não sai das imediações da grande área belga. Cruzamento para a grande área, alívio da defesa belga e Raphael Guerreiro surge a rematar, de pé direito. A bola parece levar a direção certa, fora do alcance de Courtois, mas bate em cheio na base do poste direito da baliza belga. Não queria mesmo entrar...

Os melhores: a força de Sanches, a alma de Pepe, a segurança de Courtois e a classe do 'outro' Hazard

Do lado de Portugal, Renato Sanches foi quem conseguiu levar a Equipa das Quinas para a frente no primeiro tempo, enquanto o jogo esteve de feição às suas características, com o nulo no marcador, até a Bélgica marcar e baixar linhas. E, depois, houve Pepe. Igual a si mesmo, com a garra de sempre. Acabou a jogar como ponta-de-lança, no tudo por tudo, e para lá do minuto 90 ainda corria, saltava e lutava, incansável, a tentar pressionar na frente à procura de um erro belga que não surgiu.

Do lado da Bélgica, Thibaut Courtois mostrou o porquê de ser considerado um dos melhores guarda-redes do mundo e defendeu os quatro remates que Portugal fez na direção do alvo, um deles com selo de golo (aquela cabeçada de Rúben Dias...). Depois, no ataque, Thorgan Hazard não só marcou o único golo do jogo, no único remate enquadrado da Bélgica, como mostrou classe a atacar pelo flanco esquerdo e conferiu também segurança por esse lado.

Os piores: Bernardo Silva e Diogo Jota com jogo (torneio) para esquecer

Foram, uma vez mais, as apostas para acompanhar Cristiano Ronaldo, mas voltaram a não encantar, tal como não tinham encantado por aí além na fase de grupos. Bernardo Silva pouco criou e pouco ajudou a defender, quando era preciso, acabando substituído no início da segunda parte. Diogo Jota, por seu lado, desperdiçou duas boas oportunidades. A primeira logo a abrir o jogo, aos sete minutos, em boa posição, num remate de pé esquerdo em que acertou mal na bola, e a segunda  já na segunda parte, em que também podia ter feito melhor.

Estatísticas e curiosidades

  • A Bélgica venceu os seus últimos 14 jogos no EURO, entre as fases de qualificação e final, igualando o recorde estabelecido pela Alemanha e pela Itália.
  • A Bélgica somou a sua 23ª vitória nos últimos 27 jogos, marcou golos pelo 34º jogo consecutivo e não sofreu qualquer golo pela sexta vez nos últimos oito jogos.
  • Esta foi a segunda fase final consecutiva do EURO em que o campeão em título se viu eliminado nos oitavos-de-final. Depois da Espanha, em 2016, agora foi a vez de Portugal.
  • Há nove jogos que Portugal não ficava em branco em fases finais do EURO.
  • Com 38 anos e 121 dias, Pepe tornou-se no jogador de campo mais velho a iniciar um jogo da fase a eliminar do EURO.

As reações

O resumo

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