José Mourinho foi afastado do comando técnico do Tottenham. Um despedimento há muito esperado, devido ao fraco desempenho da equipa. O treinador português deixa o clube londrino na sétima posição da Liga inglesa e na final da Taça da Liga, marcada para domingo, tendo sido eliminado da Liga Europa e da Taça de Inglaterra. Na sua passagem pelo Tottenham, Mourinho somou 44 vitórias, 19 empates e 23 derrotas. O português tinha contrato com os 'spurs' até 30 de junho de 2023.

Este é mais um episódio de insucesso do técnico português, depois de ter sido despedido do Manchester United, Chelsea e Real Madrid, os últimos emblemas que orientou. Ao todo, José Mourinho já comandou oito clubes: além do Tottenham, o setubalense treinou Benfica, União de Leiria, FC Porto, Chelsea, Inter Milão, Real Madrid e Manchester United.

Mourinho foi contratado pelo clube londrino a meio da época passada para o lugar do argentino Maurício Pochettino, técnico que tinha levado os 'spurs' à final da Liga dos Campeões e era presença assídua na prova milionária. O técnico pegou no Tottenham a 20 de novembro de 2019, com os londrinos no 14.º lugar da Premier League após 12 jornadas. Os 'spurs' cresceram a nível de resultados e terminaram 2019/2020 no 6.º lugar, com 59 pontos, os mesmos do Wolverhampton de Nuno Espírito Santo, suficientes para garantir a última vaga de acesso à Liga Europa.

Esta temporada esperava-se que Mourinho levasse o Tottenham ao 'top'4' e conseguisse o acesso à Liga dos Campeões. Os londrinos até arrancaram bem e chegaram a liderar a prova até a 12.ª ronda, quando foram derrotados pelo Liverpool e trocaram de posição com os 'reds' na tabela, a 16 de dezembro de 2020.

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2021 trouxe o Tottenham diferente, para pior, com uma sucessão de maus resultados. A equipa foi afastada da Taça de Inglaterra pelo Everton, nas grandes penalidades, acabou eliminada nos oitavos de final da Liga Europa pelo Dinamo de Zabreg, depois de ter vencido por 2-0 na primeira-mão em casa. Nos últimos 20 jogos, o Tottenham perdeu nove, empatou dois e venceu nove.

Cinco despedimentos na carreira do 'Special Onze'

O Chelsea foi o primeiro clube a despedir José Mourinho. O técnico foi contratado por Roman Abramovich, o milionário russo que é dono do clube inglês, em 2004, num ano em que Mourinho tinha ganho a Liga dos Campeões pelo FC Porto. Em Inglaterra ganhou a alcunha de 'Special One'.

Esteve nos londrinos entre 2004/05 a 2007/08 onde venceu duas Premier League, duas Taças da Liga, uma Supertaça e uma Taça de Inglaterra, ele que devolveu a glória ao Chelsea. Mas seria despedido na quarta temporada, em setembro de 2007, após três vitórias, quatro empates e uma derrota na Liga Inglesa 2007/08, após falhar a conquista da Liga dos Campeões, o grande objetivo de Mourinho no clube.

O técnico voltaria aos londrinos em 2013, onde viria a conquistar uma Premier League e uma Taça da Liga em duas temporadas e meia, mas seria novamente despedido em dezembro de 2015, deixando o Chelsea no 16.º posto da Premier League, com nove derrotas em 16 jogos, onde apenas venceu quatro e empatou três. Mourinho saiu com os Blues a um ponto dos lugares de descida de divisão.

Mourinho no Chelsea
José Mourinho créditos: TOBIAS SCHWARZ / AFP

Ao todo, nas sete temporadas no Chelsea, venceu três Ligas Inglesa, uma Super Taça de Inglaterra e três Taças da Liga inglesa e uma Taça de Inglaterra.

O Real Madrid foi o segundo clube a prescindir dos serviços de José Mourinho, entre as suas duas passagens pelo Chelsea. O português chegou aos madrilenos em 2010/2011 para colocar um ponto final na hegemonia do Barcelona e vencer a Champions, mas acabou afastado ao cabo de três temporadas. No emblema espanhol venceu uma Liga, uma Taça do Rei e uma Supertaça, entre 2010 e 2013.

Quando foi contratado pelo Manchester United em 2016/2017, causou logo impacto ao vencer três títulos na estreia. O 'Special One' levou os 'red devils' a conquistar a Liga Europa, a Taça da Liga e a Supertaça de Inglaterra logo no primeiro ano, mas depois ficou em branco nas duas épocas seguidas. Seria afastado do comando técnico da equipa a 18 de dezembro de 2018, ao cabo de 17 jornadas na Liga Inglesa. Saiu com o Manchester United no sexto lugar do campeonato, com 26 pontos.

Uma carreira marcada por conflitos com jogadores

A carreia de José Mourinho tem sido marcada por confrontos com algumas das estrelas de futebol. O português é um treinador frontal e não tem problemas em apontar o dedo aos jogadores quando os resultados não são positivos. No FC Porto a sua relação com Vítor Baía azedou, No Real Madrid incompatibilizou-se com Iker Casillas, uma 'instituição' dentro do clube, algo que criou um mau ambiente no balneário, e ainda com Pepe.

No Manchester United, entrou em rota de colisão com alguns jogadores, entre eles Paul Pogba, uma das estrelas da equipa na altura. No Chelsea foi Juan Mata a pagar as 'favas' e no Tottenham Dele Alli, um dos principais ativos do clube. Com Mourinho, o internacional inglês passou de um dos jogadores mais cobiçados do Mundo para nem sequer entrar em convocatórias.

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Recentemente, numa entrevista à 'Sky Sports', Paul Pogba explicava as diferenças entre Mourinho e Ole Gunnar Solskjaer, atual treinador do Manchester United.

"A minha relação com o Ole é diferente, ele não iria contra os jogadores. O Ole pode não escolher um jogador, mas não o mete de lado como se ele deixasse de existir. É essa a diferença entre Mourinho e Ole. O que aconteceu com Mourinho? Toda a gente via isso, mas um dia fiquei sem saber o que se passou. Essa foi a situação estranha com Mourinho, e nem consigo explicar o que se passou, pois nem eu sei", comentou o francês do United.

Um dos pontos que mudou na carreira de José Mourinho foi a forma como tem gerido os balneários. Se dantes a maior parte dos atletas diziam que davam a vida pelo português, nos últimos anos a sua relação com alguns jogadores tem sido mais marcada por conflitos. Também já treinou grandes estrelas, mas não foi capaz de tirar o melhor rendimento deles, como foram os casos de Mohamed Salah e Kevin de Bruyne no Chelsea.

Para o comentador e analista de futebol João Almeida Rosa, esta "é uma das questões que tem levado a que o seu sucesso não seja tão grande". A sua "capacidade de liderança, de conduzir o grupo ao encontro do que pretendia" era um dos "grandes alicerces das suas equipas," mas isso mudou.

"As novas gerações, não digo que são mais mimadas, mas são mais sensíveis. Como treinador, sinto isso. Eu que joguei e fiz a formação como jogador, aceitava um tipo de liderança que os miúdos hoje em dia já não aceitam. É uma liderança muito menos autoritária. O Mourinho tem tido mais dificuldades em lidar com jogadores de hoje em dia do que com os que apanhou quando apareceu", recorda.

Recentemente, após ser afastado da Liga Europa pelo Dinamo Zagreb, Mourinho não teve problemas em culpar os jogadores publicamente.

Pepe com José Mourinho e Ronaldo no Real Madrid
Pepe com José Mourinho e Ronaldo no Real Madrid créditos: JUANJO MARTIN

"Tirando os últimos 10 minutos do prolongamento, em que fizemos alguma coisa para conseguir um resultado diferente, o restante do jogo resumiu-se a uma equipa [o Dinamo] a deixar tudo em campo. Em contraste, a minha equipa parecia que não estava a disputar um jogo importante. [...]. Eles só se mentalizaram de que o jogo estava em risco quando o Dinamo marcou o segundo golo e o jogo foi para prolongamento. A minha equipa não colocou em campo os princípios básicos do futebol e da vida, ou seja, respeitar o nosso trabalho e dar tudo. Só posso pedir desculpa aos adeptos do Tottenham", referiu, em declarações prestadas à 'BT Sport'.

José Mourinho: 25 troféus numa carreira de altos e baixos

A conquista da Liga Europa pelo Manchester United em 2017 foi o último troféu conquistado por José Mourinho. Ao todo, o português conta com 25 troféus no palmarés enquanto treinador principal, entre eles quatro a nível europeu.

Mourinho completou a primeira época no Manchester United com três troféus, igualando o seu recorde, conseguido duas vezes no FC Porto (2002/03 e 2003/04) e uma no Inter de Milão, numa ‘mítica’ época 2009/10 em que conquistou a ‘Champions’ e a ‘dobradinha’ em Itália.

Com a vitória na segunda competição da UEFA em 2017, Mourinho passou a ter quatro troféus continentais, depois de duas edições da Liga dos Campeões (2003/04 e 2009/10) e de uma da antecessora da Liga Europa, a Taça UEFA (2002/03).

O treinador português sagrou-se campeão da Europa pelo FC Porto (3-0 ao Mónaco) e o Inter de Milão (2-0 ao Bayern Munique), depois de, pelos portistas, ter arrebatado o primeiro troféu face ao Celtic (Taça UEFA).

No currículo europeu de José Mourinho, falta apenas a Supertaça continental, depois de a ter perdido em 2003/04, pelo FC Porto, face ao AC Milan, e em 2013/14, pelo Chelsea, perante o Bayern Munique.

Em matéria de finais, ‘Mou’ soma 17 triunfos para apenas oito desaires, em 25 finais.

No que respeita a troféus, e além dos quatro europeus, destaque para os oito campeonatos, dois em Portugal, três em Inglaterra, dois em Itália e um em Espanha, quando em 2011/12 bateu o Barcelona, de Pep Guardiola e Lionel Messi.

Nos quatro países, ‘Mou’ também ganhou em todos a Taça (uma em cada) e a Supertaça (duas em Inglaterra e um nos outros três), aos quais soma quatro edições da Taça da Liga inglesa, a prova que mais vezes conquistou.

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