“Malapata”, “Cartão Vermelho”, “Fora de Jogo”, “Prolongamento”, “Cartão Azul”. Estes podiam ser os títulos de episódios de uma nova série policial, mas são operações reais de investigação que envolveram o futebol português em 2021.

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Crimes de fraude fiscal, burla qualificada, falsificação informática, abuso de poder, negócios simulados e branqueamento. São estas as palavras-chave para entender todos estes esquemas que mancharam o futebol português nos tribunais. Fica um resumo das cinco operações.

Operação Cartão Vermelho

Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos no início de julho numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado, SAD do Benfica e Novo Banco e está indiciado por abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, fraude fiscal e abuso de informação.

O antigo presidente do Benfica chegou a estar em prisão domiciliária, mas pagou uma caução e saiu em liberdade. Pelo meio, deixou a direção dos encarnados, com o juiz Carlos Alexandre a aceitar a caução de três milhões de euros através da entrega de dois imóveis e 240 mil euros em dinheiro.

Neste processo, existiram mais três arguidos: o empresário José António dos Santos, o filho do ex-presidente do Benfica, Tiago Vieira, e o agente de futebol Bruno Macedo.

Prolongamento

Pinto da Costa é suspeito de usar a família para desviar dinheiro do FC Porto, sendo um esquema semelhante a aquele que Luís Filipe Vieira terá usado no Benfica.

A Autoridade Tributária recolheu todos os recibos de pagamentos feito pelo FC Porto a pessoas e empresas próximas de Jorge Nuno Pinto da Costa. As buscas feitas confirmaram as suspeitas da investigação: a ex-mulher de Pinto da Cosa, Fernanda Miranda, terá recebido milhares de euros das contas do clube para o pagamento de leasings.

Mais pessoas do círculo íntimo de Pinto da Costa terão beneficiado do dinheiro saído dos cofres do Estádio do Dragão.

Cartão Azul

De acordo com o despacho, "vários agentes desportivos, entre eles Pedro Pinho e Alexandre Pinto da Costa, acordaram com Pinto da Costa em desenvolver um esquema destinado a gerar proveitos indevidos na esfera dos referidos dirigente, agentes e sociedades conexas".

Para colocarem jogadores no FC Porto, ou para os venderem do FC Porto para outros clubes, de acordo com o mesmo despacho do procurador, esses empresários "aceitaram devolver, designadamente a Pinto da Costa, parte dos montantes cobrados em comissões pela sua intervenção como intermediários nesses negócios".

Em causa estão "esquemas de fraude que envolvem a montagem de justificações contratuais, designadamente referentes a serviços de intermediação de contratos desportivos e consultoria, para suportar a atribuição, pelo FC Porto e pela sua SAD, de vantagens indevidas ou não declaradas em sede fiscal, em benefício de pessoas físicas e de outras sociedades".

Ao todo, são 12 os negócios em investigação: Casemiro, Brahimi, Quaresma, Aboubakar, Ricardo Pereira, Matheus Uribe, Militão, Felipe, Zé Luís, Oliver Torres, Fábio Silva e Danilo Pereira.

Operação Fora de Jogo

Esta operação surge depois de uma investigação iniciada em 2015, que contou com a colaboração das autoridades fiscais de Espanha, França e Inglaterra. Este caso, que visa negócios obscuros do futebol português, teve origem nas revelações feitas por Rui Pinto no site 'Football Leaks'.

Em causa estão suspeitas da prática de factos suscetíveis de integrarem crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. As buscas desta quarta-feira focam-se em suspeitas de negócios simulados entre clubes de futebol e terceiros, com valores a rondar os 15 milhões de euros.

5 perguntas (e respostas) sobre o processo Fora de Jogo
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No âmbito da investigação foram constituídos 129 arguidos, entre os quais jogadores de futebol, agentes, advogados e dirigentes. Além disso foram ainda realizadas buscas nas residências de Pinto da Costa, Luís Filipe Vieira, Frederico Varandas (é visado mas por negócios não realizados pela sua gestão), António Salvador (presidente do Braga), mas também nas residências de jogadores como Casillas, Jackson Martinez, Maxi Pereira, Danilo Pereira.

Ainda em novembro, a PJ visitou as instalações do Tondela, à procura de documentos relacionados com a transferência de um jogador.

Operação Malapata

A “Operação Malapata” é a última de uma série de casos que, ao longo do ano, envolveram o “desporto-rei” em Portugal. César Boaventura, empresário de futebol, foi detido por alegados crimes de fraude fiscal, burla qualificada, falsificação informática e branqueamento no âmbito da Operação Malapata.

A Polícia Judiciária investiga os negócios de Vlachodimos, Lisandro López, Nuno Tavares e Gedson Fernandes, intermediados por César Boaventura.

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