"O futebol sem adeptos não faz sentido", é a perceção de Tarantini e Costinha, futebolistas do Rio Ave, com 17 anos de diferença, após um ano de jogos à porta fechada devido à pandemia de covid-19.

O experiente Tarantini reconhece ter sentido mais o impacto da falta de adeptos nos recintos desportivos, admitindo nunca ter pensado, em 20 anos de carreira, "que tal fosse possível" e, ainda hoje, sente "desconforto" de jogar em estádios vazios.

"Recentemente jogámos no Estádio da Luz e foi muito estranho ouvir o barulho do eco. Foi um sentimento de vazio, que, por mais vezes que aconteça, não dá para habituar", confessou à agência Lusa o médio de 37 anos.

O futebolista em atividade com mais jogos no principal escalão nacional admite que as partidas em que mais lhe custou ver as bancadas vazias foram as da Taça da Portugal, por "não se sentir a verdadeira festa do futebol", esperando que tal "não contribua para a imagem que a modalidade é apenas um negócio".

"O futebol sem adeptos não faz sentido, e com o tempo até nos vamos questionado para quê e por quem estamos a jogar. Espero que os responsáveis do nosso futebol pensem no futuro, percebam que depois de grandes crises também vêm grandes oportunidades e que devemos melhorar a relação com os adeptos", alertou o capitão do conjunto vila-condense.

Num clube como o Rio Ave, em que o equilíbrio financeiro depende mais dos direitos televisivos e das transferências, a falta das receitas de bilheteira não tem um impacto preponderante nos cofres, mas Tarantini perspetiva "outras perdas relevantes".

"O clube vinha a crescer no número de adeptos e na formação e esta pandemia veio tirar muitos jovens e respetivas famílias, do futebol. Temo que seja difícil recuperar", desabafou.

A opinião de Tarantini é partilhada pelo companheiro de equipa Costinha, que, aos 20 anos, se estreou na I Liga, sem sentir o carinho, e também a pressão, do público.

"Desde pequeno sonhava em jogar nos principais estádios nacionais e sentir aquele ambiente da I Liga, mas agora que o consegui é um aperto não ouvir ninguém. Não é o que desejava", partilhou o jovem defesa.

Costinha tenta retirar alguns pontos positivos da situação, nomeadamente "não sentir tanta pressão vinda da bancada" neste seu ano de debutante na I Liga, mas tal não compensa o desalento.

"Fazer a estreia na equipa principal do Rio Ave e não ver a minha família e os amigos nas bancadas é triste. Foi algo que nunca senti no meu caminho de formação e que ainda estou a aprender a gerir", lamentou o lateral direito.

Apesar da curta carreira, o internacional sub-20 não hesita em dizer que o rendimento de uma equipa também fica moldado pelo incentivo que vem fora de campo, e espera que a atual situação "possa mudar em breve".

"Nos momentos difíceis conseguimos dar um pouco mais de nós com o apoio vindo das bancadas. Aquele incentivo e também pressão faz a diferença quando temos de manter ou ir buscar determinado resultado. Sem esse incentivo fica por vezes mais difícil, sobretudo para os mais jovens", concluiu Costinha.

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