O Tribunal de Guimarães suspendeu, de forma provisória, o processo para os três últimos arguidos da investigação ao caso Marega, avança o 'Jornal Notícias'. O quarto arguido já tinha visto o seu processo ser suspenso. Termina assim sem condenações ou acusações o mais mediático caso de racismo em Portugal.

De recordar que durante esse Vitória de Guimarães-FC Porto, do dia 16 de fevereiro de 2000, alguns adeptos vimaranenses entoaram cânticos, insultos, e imitaram sons de macaco para contra Marega durante cerca de duas horas, do aquecimento até abandonar o relvado.

No despacho emitido a 13 de setembro, o Tribunal de Guimarães determinou que os três arguidos entregassem ao Estado o montante de mil euros, cada, no prazo de três meses. Os mesmos ficam ainda proibidos de aceder a recintos desportivos durante um ano, e obrigados a apresentação na esquadra da polícia sempre que o Vitória de Guimarães jogar. Além disso, terão de pegar pedir desculpa ao jogador Moussa Marega e ao clube vitoriano, através do jornal 'Desportivo de Guimarães', escreve o 'JN'.

Ainda segundo o 'JN', o texto com o pedido de desculpas já foi redigido mas ainda não está publicado. No mesmo, os arguidos assumem que vaiaram Moussa Marega mas negam ter havido comportamento racista.

Diz ainda a mesma fonte que o Ministério Público levou em consideração a inexistência de antecedentes criminais dos arguidos e a idade, na casa dos 30 anos.

Os três adeptos do emblema vimaranense respondiam pelos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, punidos com pena de prisão de seis meses a cinco anos.

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No jogo entre Vitória de Guimarães e FC Porto realizado em 16 de fevereiro de 2020, com triunfo dos ‘dragões' por 2-1, Marega recusou-se a permanecer em campo ao minuto 71, após ter sido alvo de insultos racistas por parte dos adeptos da formação vimaranense, numa altura em que o resultado final já estava estabelecido

Depois de pedir a substituição, Marega, que já alinhou no emblema minhoto e tinha marcado o segundo golo dos ‘azuis e brancos', dirigiu-se para as bancadas do recinto vimaranense, com os polegares a apontarem para baixo, situação que originou uma interrupção do jogo durante cerca de cinco minutos.

Vários jogadores do FC Porto e do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo, tendo acabado por ser substituído por Manafá.

Insultos a Marega começaram no aquecimento

Este caso já tinha dado origem a vários processos, por entidades distintas, outro deles pela Autoridade para a Prevenção e Combate da Violência no Desporto (APCVD), que puniu o clube minhoto também com três jogos em casa à porta fechada, mas estes terão de ser cumpridos após o regresso do público aos estádios.

O emblema de Guimarães recorreu desta decisão e criticou ainda o presidente da Liga, Pedro Proença, considerando que este desrespeitou "a separação de poderes", após ter tomado posição sobre uma decisão do Tribunal da Relação de Guimarães.

Este órgão decidiu anular uma multa imposta a um adepto - um indivíduo de 29 anos na bancada sul, junto à claque vitoriana White Angels - pela APCVD por ocultação de identidade.

O outro processo decorre após uma investigação da Polícia de Segurança Pública (PSP), que acedeu às imagens de videovigilância do estádio, de forma a serem identificados os eventuais autores dos insultos racistas.

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