A permuta de árbitros promovida esta temporada pelas federações de futebol de Portugal e França nos respetivos campeonatos profissionais “valeu pouco”, avalia o ex-juiz Pedro Henriques, detetando apenas “proveito individual”.

“Não acho que os árbitros franceses tenham muita qualidade. Se este protocolo tivesse sido estabelecido com Espanha, Itália ou Alemanha, era fantástico. Não vejo grande vantagem com a França e, na prática, olhando para aquilo que aconteceu esta época, acho que valeu pouco, para não dizer nada”, analisou à agência Lusa o antigo árbitro.

Oficializado em abril de 2021, o inédito intercâmbio envolveu equipas de arbitragem de campo e de videoárbitro (VAR) na I Liga portuguesa e na Ligue 1, visando a aquisição mútua de experiência internacional e a evolução do setor em território luso e francês.

“Não sei se é necessário fazer este tipo de protocolos. Se a perspetiva fosse aliviar um pouco a grande tensão existente e a carga que cai sobre os árbitros em determinados jogos mais importantes a nível nacional, poderia fazer algum sentido”, agregou Pedro Henriques, com quase 100 encontros dirigidos no escalão principal, entre 2002 e 2010.

Willy Delajod (Paços de Ferreira-Sporting de Braga, à quinta jornada), Thomas Léonard (Famalicão-Vitória de Guimarães, à oitava) e Jérémie Pignard (Boavista-Moreirense, à 15.ª) foram os únicos árbitros gauleses a ajuizar em Portugal, sempre na primeira volta.

Já Luís Godinho (Bordéus-Lens, à quinta ronda), António Nobre (Nice-Brest, à nona) e Hugo Miguel (Montpellier-Angers, à 19.ª), na primeira metade, e Vítor Ferreira (Reims-Lens, à 36.ª), exemplo singular na segunda, foram os árbitros lusos na elite de França.

“A Ligue 1 é um dos cinco principais campeonatos europeus e viajar para apitar um jogo num contexto diferente pode ser boa experiência para os portugueses. Digamos que o grande proveito foi individual e para aqueles que tiveram essa oportunidade”, salientou.

Este cenário consta desde 2012 no terceiro ponto do nono artigo dos regulamentos de arbitragem das competições organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, com a possibilidade de nomeação dos “árbitros e assistentes inscritos em federações estrangeiras com as quais a Federação Portuguesa de Futebol estabeleça contrato”.

“Contudo, faço esta ressalva. Se foi uma experiência para tirar conclusões e, depois, se acelerar no futuro para uma dimensão diferente de quantidade de desafios e intercâmbio, pode ser que sim. Faltou essa comunicação ao Conselho de Arbitragem, que está muito manietado pela sua inserção federativa. Esta falta de autonomia mata completamente a arbitragem, que não tem hipótese de evoluir nesta dimensão”, alertou Pedro Henriques.

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