Milhares de pessoas afluíram hoje à margem esquerda do Mondego, em Coimbra, para assistir à superespecial do Rali de Portugal, que a cidade perder a oportunidade de ver o espetáculo “seria pecado”.

A zona livre junto à avenida Conímbriga – uma reta seguida de salto – foi enchendo lentamente, com algum do público a reclamar assim que chegou ao local e se apercebeu das vistas: “Aqui é só retas! Eu só vou ver retas?”.

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Uma curva apertada antes da reta e o salto acabaram por fixar muitas pessoas, que ora se punham em bicos dos pés para ver nesgas dos carros a passar, ou recorriam a banquinhos, pequenos escadotes, ao muro junto à margem do Mondego, ou até aos pilaretes do passeio, num complicado exercício de equilibrismo, para ver um pouco mais.

Perto das 19:00 – altura em que a prova começou -, já a zona ficava bem composta (sem nunca ficar cheia ao ponto de obrigar a PSP a impedir o acesso), com a enchente a levar uma criança que passava, vinda da escola, a olhar com espanto para o público e comentar com o seu colega: “Deve estar aqui Coimbra toda menos o meu pai e a minha mãe”.

“Aqui já dá para ouvi-los”, nota João Sousa, que estava em cima do muro junto ao Mondego, olhando atento para a curva apertada que conseguia ver à sua frente.

Amante do desporto motorizado – foi há semanas ao MotoGP em Portimão -, aproveitou que estava a trabalhar perto para dar um salto e ver a primeira vez que Coimbra recebe uma superespecial do Rali de Portugal.

“Quando era lá em baixo dava mais jeito”, disse à agência Lusa João Sousa, que mora no Algarve e que, de vez em quando, gosta de fazer “umas brincadeiras” com um ‘side-by-side’.

João Sousa constata que o “sítio é brutal, mesmo no centro da cidade”, permitindo às pessoas da cidade e de fora verem os carros em ação “de muito perto”.

Já o seu amigo António Monteiro, de 54 anos, de Coimbra, não é fanático do desporto automóvel, mas considerou que “ter um evento mundial na cidade e não ver seria um pecado”.

“Há milhões de pessoas que gostavam de estar aqui e não estão. Seria um pecado não ver”, salientou, numa conversa com a Lusa que foi sendo entrecortada pelas reações de ver os carros a passar a curva: “Ah leão! Dá-lhe!”.

António Monteiro congratula-se ainda com o facto de a cidade, no mesmo dia, acolher uma superespecial do Rali de Portugal e o arranque da Queima das Fitas, com a Serenata Monumental na Sé Velha.

Ricardo Pereira e Sandra Brandão, que vieram do concelho vizinho de Condeixa-a-Nova, para ver a prova, em especial o piloto francês Sébastien Ogier, ponderavam dar depois um “saltinho” à Serenata e fazer um dois em um na deslocação a Coimbra.

Ao casal fascina-lhes “a velocidade, o barulho, o som dos motores, a adrenalina”.

“Aí vem ele! Olha a velocidade”, comentava ao lado João Sousa, quando Ogier passou.

Na zona do salto, um jovem chamado António assume que é a primeira vez que vê rali e assegura que “está a ser bonito”.

A trabalhar no ramo automóvel, realça que “só o barulho assusta”.

“É impressionante”, comenta, deixando a promessa de que se a superespecial voltar a Coimbra, voltará a marcar presença.

Se na margem esquerda ouvia-se o barulho dos motores dos carros, do outro lado do Mondego já se ouviam cânticos dos estudantes que se deslocavam para os tradicionais jantares de curso que precedem a Serenata Monumental.

À meia-noite, o barulho dos motores de carros de alta competição que invadiu a cidade já terá deixado Coimbra e será trocado por um silêncio sepulcral na Sé Nova, na Alta, à espera do bater das 12 badaladas para se ouvir o Fado de Coimbra.

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