O Open da Austrália ficou hoje órfão de números um do ténis mundial, com as surpreendentes derrotas de Andy Murray e de Angelique Kerber nos oitavos de final do primeiro ‘Grand Slam’ da época.

E ao sétimo dia, o impensável aconteceu: numa jornada negra em Melbourne Park, em que só Roger Federer se salvou para gáudio dos milhões de fãs que esperam vê-lo levantar o 18.º troféu do ‘Grand Slam’ no próximo domingo, Andy Murray e Angelique Kerber foram vulgarizados, respetivamente, pelo alemão Mischa Zverev e pela norte-americana CoCo Vandeweghe.

Depois da surpreendente derrota do seis vezes campeão Novak Djokovic na segunda ronda, o tenista britânico parecia ter via aberta para quebrar o enguiço no Open da Austrália e conquistar, após cinco finais perdidas, o título, mas o mais velho dos irmãos Zverev, 50.º tenista mundial, não esteve pelos ajustes, impondo-se por 7-5, 5-7, 6-2 e 6-4.

“Tive derrotas difíceis na minha carreira no passado e regressei de todas. Esta, no entanto, é bem difícil. Tenho a certeza que vou recuperar, mas neste momento estou muito em baixo, porque queria ir bem mais longe no torneio”, resumiu o número um mundial.

Já Mischa Zverev confessou ter-se sentido em “coma” em alguns momentos, incrédulo perante aquilo que estava a acontecer no ‘court’.

“Houve momentos em que não percebi como consegui alguns pontos”, reconheceu o tenista de 29 anos, depois de se apurar, pela primeira vez na carreira, para os quartos de final de um ‘Grand Slam’.

Ainda o mundo do ténis não estava recuperado da eliminação de Murray - desde a edição de 2004 de Roland Garros que os dois primeiros jogadores da hierarquia ATP não eram afastados antes dos quartos de final - quando Angelique Kerber, a número um do ‘ranking’ feminino e campeã em título, foi surpreendida por CoCo Vandeweghe.

No seu primeiro ‘major’ como líder da classificação feminina, a alemã negou que o estatuto tenha pesado na derrota com a norte-americana, 35.ª jogadora mundial, pelos parciais de 6-2 e 6-3.

“Foi um encontro difícil e, obviamente, estou desapontada. Mas não estava a sentir a bola de todo. Não joguei bem desde o primeiro ponto. Não foi o meu dia”, reconheceu.

Não fosse a queda dos líderes dos dois ‘rankings’ individuais e o protagonista inegável da jornada em Melbourne Park teria sido Roger Federer.

O suíço, que regressou no início desta temporada de seis meses de paragem por lesão, deslumbrou na vitória sobre o japonês Kei Nishikori, quinto tenista mundial, por 6-7 (4-7), 6-4, 6-1, 4-6 e 6-3, deixando os adeptos do ténis a sonhar com um hipotético 18.º título do ‘Grand Slam’, o primeiro desde a edição de Wimbledon.

“Este é um momento gigantesco na minha carreira. Estava a dizer para mim mesmo: ‘Fica calmo’. Sinto-me em forma, treinei tão duro quanto podia na pré-temporada”, sublinhou.

Aos 35 anos, o 17.º cabeça de série demonstrou estar de volta à melhor forma, num encontro em que a sua classe veio ao de cima, para marcar encontro com Zverev, que tem em Federer um ídolo.

“Nunca pensei que o Mischa Zverev e o Denis Istomin [que eliminou Djokovic] vencessem esses dois nomes de topo. Penso que é bom para o ténis que muitos jogadores agora acreditem firmemente que os tenistas do topo são vencíveis e vulneráveis, sobretudos num ‘court’ mais rápido”, considerou.

E o recordista de vitórias do ‘Grand Slam’ não foi o único suíço a avançar para os ‘quartos’ em Melbourne, já que o seu compatriota e amigo Stanislas Wawrinka, campeão nos ‘antípodas’ em 2014, também carimbou a passagem à fase seguinte com um triunfo, por 7-6 (7-2), 7-6 (7-4) e 7-6 (7-4), diante do italiano Andreas Seppi.

Wawrinka irá agora jogar com o francês Jo-Wilfried Tsonga, que derrotou o britânico Daniel Evans, por 6-7 (4-7), 6-2, 6-4 e 6-4.

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