Os deputados da oposição protestaram esta sexta-feira (23) diante da Presidência da Coreia do Sul contra a visita ao país do general norte-coreano Kim Yong-chol, acusado de ser um criminoso de guerra.

Kim Yong-chol lidera a delegação norte-coreana que comparecerá no domingo à cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang.

O evento permitiu uma trégua entre as Coreias após dois anos de grande tensão na península coreana.

A cerimónia de encerramento também contará com a presença da filha mais velha do presidente norte-americano, Ivanka Trump, que desembarcou esta sexta-feira na Coreia do Sul. Assim como na cerimónia de abertura, os representantes norte-americanos e norte-coreanos não devem se reunir.

Quase 70 deputados do Partido da Liberdade da Coreia protestaram diante da Casa Azul, sede da Presidência, para exigir que o presidente Moon Jae-in não autorize a entrada da delegação norte-coreana.

"Kim Yong-chol é um criminoso de guerra diabólico que atacou o Sul. Merece ser enforcado na rua", afirmou, em comunicado, o líder da bancada parlamentar do Partido da Liberdade, Kim Sung-tae.

"Não podemos admitir que um criminoso de guerra tão atroz, que deve ser cortado aos pedaços, seja convidado para a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos", completa o texto.

O porta-voz do Ministério sul-coreano da Unificação, Baek Tae-hyun, afirmou que a visita do general norte-coreano é "uma oportunidade para melhorar as relações intercoreanas".

Kim Yong-chol é responsável pelas relações entre as Coreias no partido único que governa a Coreia do Norte.

Os sul-coreanos suspeitam de que tenha dado a ordem para lançar um torpedo contra a corveta sul-coreana Cheonan em 2010, uma ação que matou 46 marinheiros.

O Ministério sul-coreano da Defesa também o acusa de ser o responsável pelos disparos de 170 mísseis contra a ilha de Yeonpyeong em 2010, que fizeram quatro mortos, incluindo dois civis.

Depois de dois anos de tensão, provocada pelos programas nucleares e balístico de Pyongyang, assim como pelas ameaças e insultos entre o presidente americano Donald Trump e o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, os Jogos de Inverno possibilitaram a atividade diplomática numa das regiões mais difíceis do mundo.

Para a cerimónia de abertura, o líder norte-coreano enviou sua irmã Kim Yo-jong, que ficou a poucos metros do vice-presidente americano, Mike Pence.

As delegações não se encontraram, mas Kim Yo-jong aproveitou a viagem histórica para convidar o presidente sul-coreano para uma reunião em Pyongyang.

Kim Yo-jong foi a primeira pessoa da dinastia que governa o Norte a ir ao Sul após várias décadas.

Pence visitou um memorial em homenagem às vítimas da corveta Cheonan e condenou as violações dos direitos humanos no Norte.

"Ao enviar Kim Yong-chol, o Norte insulta o Sul e as vítimas de Cheonan", afirmou um editorial do jornal "Chosun Ilbo".

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