O número de brasileiros que representam seleções europeias parece ser um tema incontornável cada vez que se joga uma grande competição. Há argumentos contra, há argumentos a favor, mas certa é sempre a discussão em torno desta questão.

A Rússia, adversária de Portugal neste sábado, conta com cinco jogadores nascidos no Brasil, mas naturalizados russos. O SAPO Desporto conversou com duas das estrelas maiores desta seleção de leste (Cirilo e Gustavo) para perceber o que os levou a tomar esta decisão.

Cirilo, o goleador

O pivot Cirilo, jogador do Dínamo de Moscovo, representa a Rússia há cerca de nove anos. Diz que o faz com orgulho e que em momento algum se arrepende de ter dado este passo: envergar a camisola de um país que não o viu nascer.

«Para mim é uma honra estar a jogar pela Rússia. Já estou quase há 11 anos neste país e há nove anos a defender esta seleção. É um país que me deu uma oportunidade profissional, económica e cultural. Só tenho que agradecer por me ter aberto as portas para o futsal mundial».

Quanto às críticas, estas parecem ser inevitáveis. O pivot frisa que durante muito tempo foi-lhe difícil conviver com elas. Irritava-se. Agora, assume que consegue relativizar o que lê e o que ouve, preferindo valorizar a opinião de quem realmente conta para si: a família.

«Sempre vão existir críticas dos adeptos que não concordam que um estrangeiro jogue pela seleção de outro país. No começo não lidava bem com isso. Eu ficava muito chateado quando recebia alguma crítica sobre o facto. Com o passar do tempo comecei a ver que isso não importava. Importante é o apoio da minha família. Isso é que conta. Evito ler algumas coisas a respeito e deixo de lado essa tema. Tento é fazer o meu trabalho da melhor forma possível», confessou ao SAPO Desporto.

Gustavo, o melhor guarda-redes do mundo 

Gustavo, de 34 anos, foi recentemente considerado o melhor guarda-redes de futsal do mundo pelo conceituado site "Futsal Planet". À semelhança de Cirilo, também optou por se naturalizar russo e passar a representar o país onde há alguns anos joga futsal.

A sua esposa é oriunda do Cazaquistão, os seus filhos já nasceram na Rússia e é com naturalidade que viu este processo concretizar-se.

«Já moro há muito tempo nesta parte da Europa. Primeiro estive no Cazaquistão (onde representou o Kairat), e desde 2010 na Rússia. Na minha casa só se fala russo, quer com a minha esposa como com os meus filhos. Então, eu posso falar que pessoalmente sinto-me russo. Por isso, tenho muito prazer em defender a seleção deste país. Eu sinto-me mais russo do que brasileiro», começou por dizer ao SAPO Desporto.

Gustavo também é alvo de críticas, mas convive bem com elas e contra-argumenta com quem lhe possa apontar o dedo:

«Não ligo muito às criticas. No Brasil eu tenho a minha família, tenho alguns negócios. Mas a nível profissional, eu saí do Brasil com 23 anos e, até esta data, nunca deram valor ao que eu pensava. Onde eu consegui conquistar o meu espaço foi no Cazaquistão e na Rússia. Não me importo com o que possam dizer dos estrangeiros que jogam por outra seleção», rematou.

O jogo Portugal – Rússia está agendado para as 17h30, e decidirá quem terminará o grupo B no primeiro lugar. Estas duas seleções já estão apuradas para os quartos-de-final da competição.

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