
Patrícia Mamona tem estado a “apanhar o gosto” a ser chefe de missão, à frente da comitiva portuguesa aos Jogos Mundiais Universitários Rhine-Ruhr2025, daqui a 100 dias, mas disse na sexta-feira que ainda vai voltar à competição.
“A alta competição tem um tempo limitado e é importante, temos de encarar essa realidade. [Ser chefe de missão] é uma oportunidade de continuar a estar perto. Gostava de estar como atleta... Ainda tenho a esperança de, nos próximos três anos, poder voltar e concluir a minha carreira como atleta, mas a magia do desporto vive-se tanto dentro como fora”, disse aos jornalistas.
Em Aveiro, na Casa do Estudante-Atleta, Patrícia Mamona e o presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), Ricardo Nora, assinalaram os 100 dias que faltam até ao arranque da competição, na Alemanha, e na qual a vice-campeã olímpica do triplo salto em Tóquio2020, sem competir há um ano por lesão, vai ser chefe de missão.
“Estou feliz de estar aqui neste papel. É um desafio, não estou propriamente treinada, mas sou atleta de alta competição e a carreira foi feita de ultrapassar desafios. Talvez seja o início de um futuro parecido nestes papéis. Talvez se apanhar o gosto...”, afirmou.
A cursar mestrado em Alto Rendimento, ao “orgulho” de voltar à FADU, depois da prata nas Universíadas de 2011, junta-se um “desafio” diferente, em que vai procurar “coordenar a equipa, fazer com que a missão corra bem” e passar experiência aos mais novos, em novo degrau a caminho de patamares mais altos.
“Estou a fazer mestrado e é bastante difícil ser um atleta de alta competição e mesmo assim dar continuação aos estudos. (...) Estão a dar o exemplo de uma carreira dual. É preciso também pensar no plano B. O desporto não dura para sempre e é muito importante preparar os atletas para o pós-carreira”, admitiu.
A experiência como chefe de missão “tem sido gratificante”, encontrando uma realidade de desporto universitário “muito diferente” do seu tempo, ainda que tenha um percurso peculiar – em 2011, estudava nos Estados Unidos, com condições muito superiores.
“Ainda há dificuldades, isso é visível, e o meu papel também passa um pouco por aí, mostrar a minha experiência, de que com a ajuda das organizações, universidades, é possível termos bons atletas, bons estudantes. (...) Ainda existe aqui algum espaço para melhorar esta dualidade”, comentou.
Mamona, de 36 anos, lembrou que hoje há “mais universidades com maior abertura, que até gostam de ter atletas”, mas ainda há espaço “para melhorar”, esperando ter um papel e “participar nas conversas para facilitar um pouco a vida desses atletas”.
Vai liderar a comitiva portuguesa em Rhine-Ruhr, região alemã que acolhe os Jogos entre 16 e 27 de julho, sucedendo a Pedro Cary, que tinha chefiado a missão a Chengdu2021 (realizados em 2023).
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