A vitória de Portugal no Mundial sub-20 de Riade foi há 30 anos e Hélio Sousa, membro da equipa e atual selecionador do escalão, acentua a importância do feito e a mudança que produziu no futebol nacional.

Num tempo em que o futebol, a sociedade portuguesa e a própria vida eram muito diferentes de hoje em dia, um grupo de jovens, sob a liderança de Carlos Queiroz, fez na Arábia Saudita o que nunca havia sido feito.

A compreensão da proeza só foi total no regresso, com um 'banho de multidão' no aeroporto de Lisboa, e desde então ficaram os laços afetivos de um grupo histórico.

"Parece que estivemos todos juntos ontem, é das coisas que ficam e que são, se calhar, as mais importantes de todo um momento único que vivemos e que proporcionámos a quem nos acompanhou. É normal encontrarmos pessoas na rua que se lembram ainda desse tempo, porque são da nossa geração, que estavam na escola e faltaram às aulas para irem ver os jogos", recorda à Lusa o antigo médio do Vitória de Setúbal.

Foi um percurso praticamente imaculado da formação portuguesa nesse Campeonato do Mundo, com cinco vitórias e somente uma derrota, com a apuramento garantido, frente à seleção anfitriã. A partir dessa campanha, o olhar sobre os jovens jogadores portugueses transfigurou-se, pois onde antes havia somente potencial, havia agora também rendimento e sucesso.

"[Antes e depois de Riade?] Acho que sim, ninguém consegue contestar isso. Começaram a abrir-se portas e a olhar-se de um modo diferente para os jogadores que os próprios clubes tinham e em que investiam, mas para os quais, se calhar, não olhavam com 'olhos de ver'. Foram obrigados a olhar para o jogador português e a começar a dar pelo menos as mesmas oportunidades que davam aos que vinham de fora", analisou Hélio Sousa.

Num balneário da Cidade do Futebol, em Oeiras, rodeado de fotografias com 30 anos - umas a preto e branco e outras a cores -, Hélio Sousa deixa as memórias jogarem entre si. Mais do que jogos numa terra longínqua, as primeiras recordações são dos tempos partilhados em estágio ao longo da competição, dos esforços para comunicar com Portugal e dos sonhos de então, tão palpáveis como uma bola de futebol.

"Não existia nada do que existe agora, em que comunicamos a todo o momento. Ficou também essa marca grande pela dificuldade que era, por ser uma geração a aparecer e a acreditar que era capaz de ser igual ou melhor do que as outras. Foi muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, era inimaginável para muita gente e nós acreditámos num sonho", confessa.

O êxito neste Campeonato do Mundo, ao qual se seguiu novo triunfo dois anos depois, em Lisboa, abriu caminho para a afirmação da seleção portuguesa nos grandes palcos internacionais. No entanto, nenhum elemento da famosa 'Geração de Ouro' conseguiria um título sénior para Portugal, mas Hélio Sousa aponta o foco para outra conquista.

"As vitórias nesse momento foram as presenças consecutivas que Portugal passou a ter e que antes não existiam. Até à altura tínhamos três momentos que definiam Portugal: 1966, 1984 e 1986. Em tantos anos de história do futebol português, tínhamos apenas três momentos marcantes. Com esta geração, e as outras que se foram sucedendo a partir de Riade, passámos a estar presente em fases finais umas atrás das outras", lembrou.

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