A I Liga portuguesa 2020/21 promete luta até ao fim nas diferentes batalhas pelos vários objetivos das equipas. A oito jornadas do final da prova, todas as equipas têm ainda algo em jogo por que lutar.

Na frente, o Sporting lidera, mas FC Porto e Benfica ainda acreditam no título. E, nos lugares de acesso à Champions está ainda o Braga perfeitamente envolvido na discussão. Um pouco mais abaixo, se o Paços de Ferreira permanece relativamente seguro no 5.º posto, rumo à primeira edição da Conference League da UEFA, na corrida à outra vaga nesta nova competição europeia estão envolvidos V. Guimarães, Santa Clara e Moreirense.

Mas é na luta pela permanência que mais equipas estão envolvidas. Se, por norma, por esta altura já costuma haver pelo menos uma equipa praticamente condenada, esta época a situação é bem diferente e entre o último classificado, o Nacional, e o 9..º, o Portimonense, há apenas oito pontos de diferença. Ou seja, do conjunto de Portimão para baixo, ninguém está a salvo. E esta temporada há ainda o twist de o 16.º classificado não ter a manutenção direta garantida, tendo de disputar um 'play-off' com o 3.º classificado da II Liga por um lugar no escalão principal em 2021/22.

O SAPO Desporto olhou para a tabela e para o calendário para fazer um ponto de situação nesta luta pela permanência que promete emoção até ao fim.

EQUIPAS AINDA NA LUTA PELA PERMANÊNCIA NA I LIGA 20/21

Nacional em quebra, mas longe de estar condenado

A segurar a 'lanterna vermelha' está, neste momento, o Nacional. O conjunto madeirense atravessa uma série muito negativa de resultados e nem a recente troca de treinadores parece ter resultado. Ao todo, são oito as derrotas consecutivas do Nacional nas oito últimas jornadas e, desde que Manuel Machado assumiu o leme da equipa, há dois jogos, essas derrotas foram bem pesadas (ambas por 1-5).

Porém, e apesar desta sequência bastante negativa, os madeirenses estão a apenas três pontos abaixo da linha de água. Ainda assim, um olhar para o calendário do Nacional deixa antever algumas dificuldades. É que nas oito jornadas que faltam a turma da Choupana vai ter ainda de defrontar FC Porto (em casa, já nesta próxima jornada), Sporting (fora) e Benfica (também em casa).

27.ª jornada: Nacional-FC Porto adiado para domingo. Conhecidos também os horários da 28.ª e 29.ª
27.ª jornada: Nacional-FC Porto adiado para domingo. Conhecidos também os horários da 28.ª e 29.ª
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Quanto a concorrentes diretos na luta pela manutenção, enfrentará Tondela e Famalicão (ambos fora de portas), antes de receber o Rio Ave, na derradeira jornada.

A outra equipa em zona de descida neste momento é o Farense. Penúltimo classificado, com 22 pontos (mais um do que o Nacional), o emblema algarvio só somou uma vitória nas últimas oito jornadas e vai receber o líder, Sporting, nesta 27.ª jornada. Tem uma deslocação a outro candidato ao título, o FC Porto, mas vai receber, por exemplo, Portimonense e Tondela no seu estádio, pelo que uma eventual subida na tabela classificativa está longe de ser uma miragem.

Marítimo em posição de 'play-off' e com o pior ataque

A outra equipa madeirense também não está muito melhor do que o rival Nacional. Se, nas épocas anteriores, o 16.º lugar que o Marítimo ocupa atualmente era o primeiro a salvo da descida, esta época não é bem assim. Essa posição implica, como já referimos, um confronto com o 3.º classificado da II Liga, que neste momento é a Académica de Coimbra.

Mais preocupante para a turma do Funchal (que nesta 27.ª jornada vai visitar uma equipa que está dois lugares acima na classificação, com mais três ponto - o Belenenses SAD) é o facto de ter, a par do Rio Ave, o pior ataque da presente edição da I Liga: apenas 22 golos marcados em 26 jogos. Ainda assim, depois de uma série de sete derrotas e um empate entre as jornadas 15 e 22, os resultados mais recentes, desde a chegada de Júlio Velásquez (o terceiro treinador da época) ao leme da equipa, conferem algum alento: duas vitórias nas últimas quatro jornadas, ambas frente a concorrentes diretos na luta pela manutenção.

Os maritimistas vão fechar o campeonato com uma visita ao Sporting, irão, por exemplo, receber Gil Vicente e Rio Ave (para além de outra das formações da frente, o Sp. Braga). O Marítimo, note-se, não desce do escalão principal desde 1984.

No 15.º lugar, o primeiro que assegura a 100% a permanência entre os 'grandes', está o Boavista, com 25 pontos, mais um ponto do que o Marítimo.

A turma do Bessa não perde há dois jogos, o que lhe permitiu subir acima da linha de água, e nesta 27.ª jornada vai receber um tranquilo Paços de Ferreira, com um triunfo a poder significar um passo importante rumo à fuga à descida de divisão. Do calendário do Boavista fazem ainda parte duelos com mais quatro equipas que lutam pelo mesmo objetivo (Marítimo, Tondela, Portimonense e Gil Vicente) e dois com equipas da frente (Sp. Braga, já a meio da próxima semana, e Sporting).

Boavista e Famalicão são duas das equipas ainda envolvidas na luta pela manutenção
Boavista e Famalicão são duas das equipas ainda envolvidas na luta pela manutenção. MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA créditos: © 2021 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

À frente do emblema axadrezado surge, então, o Belenenses SAD, o qual vai receber no sábado o Marítimo, num duelo que promete dar algumas indicações sobre as perspetivas futuras dos dois clubes nesta corrida pela manutenção. Há três jogos sem ganhar, os 'azuis' vão depois, a meio da semana, visitar o Sporting e têm ainda no calendário uma visita ao FC Porto marcada para a última jornada. Pelo meio, duelos com outras três equipas envolvidas na luta pela permanência: Gil Vicente (casa), Portimonense (casa) e Tondela (fora).

Famalicão, Gil Vicente e Portimonense em franca recuperação, Rio Ave aquém das expetativas

No 13.º lugar, com os mesmos 27 pontos do Belenenses SAD, surge neste momento o Famalicão. Equipa sensação da temporada passada, a turma famalicense viveu um arranque de temporada desolador e até há cinco jornadas encontrava-se mesmo em posições de descida. Mas, desde que Ivo Vieira assumiu o comando técnico da equipa, tudo mudou.  O treinador está invicto desde que pegou no Famalicão, há quatro jogos, nos quais somou duas vitórias e dois empates, o último dos quais em casa do Sporting.

Segue-se uma receção ao ao Portimonense, no domingo, e uma vitória permitirá mesmo ultrapassar os algarvios, atuais nonos classificados, na tabela. As perspetivas são, pois, boas para a turma de Famalicão, que até ao fim do campeonato terá apenas mais um confronto com os quatro da frente (receção ao FC Porto), tendo porém ainda pela frente os três clubes que lutam pela última vaga europeia (V. Guimarães, Santa Clara e Moreirense).

O 12.º classificado é, neste momento, o Rio Ave. Uma equipa a quem se adivinhava um campeonato bem mais tranquilo, mas que tem desiludido. Apurado para as competições europeias na época passada, ao terminar no 5.º lugar, o conjunto de Vila do Conde ainda não conseguiu, esta época, atingir o mesmo nível, não tendo sequer a permanência no escalão principal garantida.

Com o segundo pior ataque da prova, o Rio Ave só ganhou por uma vez nas últimas sete jornadas (três derrotas e três empates) e não vence há quatro jogos. Sábado recebe o Sp. Braga e vai ainda receber também as visitas de Sporting e FC Porto. Pelo meio defrontará Portimonense e Marítimo, duas equipas envolvidas na luta pela manutenção, e Santa Clara e Paços de Ferreira.

Com os mesmos 28 pontos do Rio Ave estão Tondela e Gil Vicente. Duas equipas que, contudo, atravessam momentos de forma distintos. Se a turma beirã só ganhou por uma vez nas últimas cinco jornadas, os de Barcelos somaram nove pontos nas últimas quatro rondas.

Pela frente, o Tondela, 11.º classificado, vai ter apenas um dos quatro da frente, o Benfica, e defrontará cinco equipas também envolvidas na batalha da permanência. Já o Gil Vicente, 10.º da tabela, enfrentará Benfica (já neste sábado) e Sp. Braga e terá quatro jogos contra adversários diretos na corrida à manutenção (três dos quais como anfitrião).

O Portimonense encontra-se em franca recuperação na tabela, mas ainda não está a salvo
O Portimonense encontra-se em franca recuperação na tabela, mas ainda não está a salvo. LUÍS FORRA/LUSA créditos: © 2021 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

A atravessar um bom momento está também o Portimonense, 9.º classificado, com 29 pontos, que vem de duas vitórias nas duas últimas jornadas. Segue-se, para o conjunto algarvio (que tem o melhor ataque - 30 golos marcados - entre todos os que lutam pela manutenção), a visita a outra das equipas em crescendo, o Famalicão. Os de Portimão irão, até ao fim do campeonato, receber dois dos quatro primeiros (Benfica e Sp. Braga) e para além do Famalicão defrontarão outros quatro emblemas que jogam pela permanência.

Quantos pontos garantem, afinal, a manutenção?

Não é fácil definir um patamar pontual a partir do qual as equipas estarão a salvo, sobretudo com tantos clubes separados por tão poucos pontos. Matematicamente, e havendo ainda 24 pontos em disputa, nem mesmo o V. Guimarães, 6.º classificado com 35 pontos, está livre da descida de divisão.

Mas podemos olhar para os pontos com que o 16.º classificado (o primeiro a salvo nas anteriores épocas) terminou o campeonato nas últimas épocas. Na temporada passada, o V. Setúbal (que até acabaria por descer na secretaria), foi antepenúltimo com 34 pontos. Em 2018/19 o 16.º foi o D. Chaves, com 32 pontos e em 2017/18 foi o Feirense a ficar nessa posição, com 31 pontos.

Na temporada de 2016/17, 32 pontos salvaram o Tondela (apesar de em igualdade pontual com o Arouca, que desceu) e em 2015/16 foram 30 pontos os pontos que chegaram ao mesmo Tondela, também aí o primeiro acima da linha de água. Na época anterior, 2014/15, o 16.º foi o Arouca, com 28 pontos.

Quer isto dizer que, desde que a I Liga voltou a ser composta por 18 equipas, nunca uma equipa com mais do que 34 pontos ficou abaixo do 15.º lugar. Pode, então, ser esse o registo a apontar pelos dez (!) clubes ainda envolvidos nesta batalha, mas nada é garantido...

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