Mais uma edição da Libertadores, mais um técnico português na final. Depois de Jorge Jesus ter conquistado a prova na última época com o Flamengo, este ano é Abel Ferreira que pode seguir os passos do atual treinador do Benfica e conquistar o mais importante título do futebol sul-americano.

O Palmeiras de Abel defronta o Santos de Cuca esta noite, numa final disputada no mítico Estádio do Maracanã a partir das 20 horas de Lisboa, 17 horas na 'Cidade Maravilhosa' do Rio de Janeiro. Será a segunda vez que a final da prova se decide a uma só mão, pelo que de hoje não passa e será conhecido o campeão sul-americano e representante da CONMEBOL no Mundial de Clubes do próximo mês.

Jesualdo começou o caminho do Santos, Cuca terminou-o

O Santos foi o primeiro dos dois finalistas a começar a campanha na Libertadores desta época, que viu o seu calendário derrapar devido à pandemia. Com Jesualdo Ferreira no comando, o 'Peixe' começou com duas vitórias consecutivas na Libertadores, ainda na fase de grupos, ao bater os argentinos do Defensa y Justicia (2-1) e os equatorianos do Delfín SC (1-0) nas duas primeiras jornadas da prova em março de 2020.

A prova foi interrompida depois da segunda jornada da fase de grupos e quando se chegou à terceira jornada, já em setembro, Jesualdo já estava em Portugal, após ter sido demitido do cargo de treinador do Santos, com Cuca a entrar para ocupar o seu lugar.

Com o técnico brasileiro de 57 anos ao comando da equipa, o Santos somou mais três vitórias e um empate, terminando o grupo G na primeira posição com 16 pontos, mais nove que o Delfín, 2.º do grupo.

O Peixe marcou duelo com o LDU Quito, emblema equatoriano que terminou no segundo lugar do grupo D, com menos um ponto que o River Plate. Na primeira mão dos oitavos de final, a 24 de novembro, o 'Peixe' levou a melhor na visita ao Equador, vencendo por 2-1. Uma semana depois, em casa, os equatorianos venceram por 1-0, mas os golos marcados fora valeram a passagem aos quartos de final.

Com um calendário apertado, os quartos de final começaram logo de seguida, com o emblema de São Paulo a viajar até Porto Alegre, para defrontar o Grémio. Depois de um empate a uma bola na 1.ª mão, o Santos goleou os compatriotas por 4-1 em Vila Belmiro, garantido passagem às meias-finais, onde voltou a defrontar uma equipa argentina.

O 'Peixe' começou novamente a eliminatória fora de casa, viajando até à 'La Bombonera' para defrontar o Boca Juniors no dia de Reis (6 de janeiro), numa partida onde ninguém encontrou o caminho para a baliza e que começou como acabou: 0-0.

Foi com uma segunda parte "demolidora" que o Santos marcou encontro com o Palmeiras na final da Libertadores
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A segunda mão, uma semana depois, contou uma história diferente. Diego Pituca, aos 16 minutos, colocou o Santos em vantagem, vantagem essa que viria a aumentar no segundo tempo com os golos de Soteldo (49') e Lucas Braga (51'), carimbando o passaporte para a final do Rio de Janeiro.

Abel liderou fase decisiva no Palmeiras

Também o Palmeiras teve uma troca de treinador no decorrer da época, mas neste caso ao contrário: saiu um técnico brasileiro, entrou um português. Mas antes disso, voltemos ao início.

O Palmeiras começou a campanha na Libertadores vencendo os argentinos do Tigre por 2-0, com Vanderlei Luxemburgo no comando da equipa de São Paulo. O técnico brasileiro levou a equipa a mais três vitórias (a última por 5-0, frente ao Bolívar) e um empate, mas acabou por não resistir a sua série de três derrotas consecutivas (Botafogo, São Paulo e Coritiba) e foi demitido a 14 de outubro. Na última jornada da fase de grupos, a equipa foi comandada pelo adjunto Andrey Lopes, batendo o Tigre por 5-0.

Entre Luxemburgo e Andrey, o Palmeiras somou 16 pontos na fase de grupos, com cinco vitórias e um empate, terminando no primeiro lugar, com mais três pontos que o Guaraní, do Paraguai.

Já com a fase de grupos da Libertadores finalizada, Abel Ferreira deixou o PAOK e rumou ao Brasil, sendo anunciado como o novo treinador do Verdão a 30 de outubro.

Com o técnico português ao comando, o Palmeiras defrontou os equatorianos do Delfín SC (adversários do Santos na fase de grupos) nos oitavos de final. O 'Verdão' passou a eliminatória de forma categórica com um agregado de 8-1 (vitória por 1-3 fora, goleada por 5-0 em casa).

Seguiram-se os paraguaios de Liberdad, nos quartos de final. Depois de um empate a uma bola na visita ao Paraguai, o conjunto alviverde venceu em casa por 3-0 e marcou encontro nas meias-finais com o River Plate, vice-campeão sul-americano, o último obstáculo entre Abel Ferreira e a final do Rio de Janeiro.

Na visita ao Estádio Libertadores da América (casa emprestada ao River Plate, pelo Monumental estar em obras), o emblema paulista colocou-se em vantagem aos 27 minutos, com o golo de Rony. O segundo tempo aumentou a vantagem 'Alviverde' com golos de Luiz Adriano (47') e Matías Viña (62'), deixando o Palmeiras e Abel Ferreira com um pé e meio na final.

Como Abel Ferreira levou o Palmeiras à final da Taça Libertadores 21 anos depois, com VAR e árbitro decisivos
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Mas a verdade é que do outro lado estava o River Plate, que não atirou a toalha ao chão e foi ao Allianz Parque obrigar o Palmeiras a sofrer bastante. Os argentinos chegaram ao intervalo da 2.ª mão a vencer por 2-0, com golos de Bojas (29') e Borré (44'), mas foram incapazes de chegar ao golo que empatava a eliminatória. Uma derrota com sabor doce que colocou o Palmeiras na final deste sábado.

Guia de forma

Nem Palmeiras, nem Santos se podem vangloriar de chegarem num bom momento à final do Maracanã. Nem o 'Peixe', nem o 'Verdão' venceram qualquer dos últimos três jogos, ainda que o registo seja levemente mais positivo para a equipa de Abel Ferreira.

No último jogo antes da final, o emblema 'alviverde' empatou em casa frente ao Vasco da Gama a uma bola, colocando um travão na série de dois jogos consecutivos a perder (com Flamengo e Ceára). O registo melhora se tivermos em conta os últimos 10 jogos realizados: são cinco vitórias, dois empates e três derrotas na última dezena de jogos que incluí as partidas das meias-finais da Libertadores, da Copa do Brasil e as jornadas do Brasileirão.

Já o Santos chega ao Rio de Janeiro numa série negativa de três derrotas consecutivas, a última das quais frente ao Atlético Mineiro por 2-0. Olhando mais atrás e analisando os últimos 10 jogos, o histórico é mais positivo, mas menos que o do adversário desta noite: são quatro vitórias, dois empates e quatro derrotas, contando com a 2.ª mão dos quartos de final e as duas mãos das 'meias' da Libertadores e os jogos do Brasileirão.

Histórico

A partida desta noite será o 296.º entre os dois emblemas de São Paulo, com clara vantagem para o 'verdão'. O Palmeiras soma 125 vitórias, mais 32 que o Santos, que venceu por 93 ocasiões. O empate (77 vezes) é o resultado menos registado entre os dois.

O histórico recente continua a dar vantagem ao 'alviverde', que nos últimos 10 jogos, só perdeu dois, vencendo quatro vezes e empatando outras tantas. As últimas vitórias do Santos frente ao Palmeiras aconteceram em outubro de 2019 (2-0, Brasileirão) e março de 2018 (1-2, 2.ª mão da meia-final do Paulista, foi eliminado nos penáltis).

Nos duelos realizados esta época, continua a ser o Palmeiras a levar a vantagem, com uma vitória nos três jogos realizados, além de dois empates, resultado do último duelo entre os dois clubes, em dezembro de 2020 (2-2).

Treinadores

Abel Ferreira, treinador do Palmeiras: "Cada jogo tem uma história, eu vou fazer o que sempre fiz. Preparar-me bem, os jogadores, estar atento aos detalhes. Não vou fazer o que não sei fazer, vou seguir os mesmos rituais, acreditar em quem tem de acreditar: os jogadores. O adversário merece respeito, fez um belo trabalho ao longo do trajeto. Temos de ser fieis à nossa forma de atacar, de defender. Não há outra forma é a nossa identidade. (...) Do outro lado vai estar um rival que vai querer tanto quanto nós. Que no final possamos seguir o plano de jogo e sermos vencedores. É um jogo só, o nosso objetivo além de chegar é chegar e ganhar".

Cuca, treinador do Santos: "São 11 contra 11, vai ser um jogo muito equilibrado e esperamos ter um dia perfeito. (...) A realidade é que a pressão existe sempre, pelo facto de estarmos a jogar numa equipa gigante. Fizemos excelentes jogos, numa caminhada difícil até aqui, com adversários habituados a jogar a Libertadores. Foi uma caminhada difícil e longa, mas esperamos concluir esta trajetória"

Pode acompanhar a final da Libertadores 2021, AO MINUTO, a partir das 20 horas aqui, no SAPO Desporto.

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