O futebol requer força para defender as suas revindicações no próximo ciclo governativo, reconheceu hoje a presidente interina da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), na abertura das Jornadas Anuais do organismo, no Porto.

“Portugal prepara-se para um novo ciclo governativo e é importante que o futebol tenha esta força para defender junto do poder político a implementação de medidas inadiáveis para travar os custos de contexto, que condicionam fortemente este setor económico. Juntos, temos mais força para nos fazermos ouvir e respeitar por aquilo que valemos”, disse Helena Pires, ao discursar na sede do organismo regulador do futebol profissional.

Há duas semanas, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, revelou que as eleições legislativas antecipadas vão decorrer em 18 de maio, após a crise política que conduziu à demissão do Governo, cuja moção de confiança chumbada foi no parlamento.

“Representamos uma atividade económica de que o país pode e deve orgulhar-se, mas o país tem de perceber o impacto do futebol profissional na economia. Se continuarmos a competir sucessivamente em condições menos favoráveis em relação aos nossos adversários, será cada vez mais difícil continuarmos a ter êxito”, acrescentou a dirigente.

A redução dos custos de contexto desejada pela LPFP envolve a revisão do modelo de repartição das receitas das apostas desportivas, bem como o decréscimo da carga fiscal do setor e dos encargos com seguros encarados pelas 34 sociedades desportivas - 18 na I Liga e 16 no escalão secundário, com a exceção das equipas B de Benfica e FC Porto.

“Para lá destas paredes, temos um desafio de perceção a superar. Sabemos que nem sempre é reconhecido ao futebol profissional o devido valor. Ainda agora vimos a seleção nacional, constituída por jogadores formados nas sociedades desportivas, a apurar-se para as meias-finais da Liga das Nações, com França, Espanha e Alemanha. Que outras indústrias nacionais conseguem competir e obter este sucesso?”, sinalizou Helena Pires.

Promovida a presidente interina da LPFP há um mês, face à eleição do antecessor Pedro Proença na liderança da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a dirigente assegurou que o setor “vai fazer sempre a sua parte com espírito de agregação, união e exigência”.

“Estas jornadas anuais constituem uma evidência importantíssima da capacidade desta indústria na defesa da integridade e da estabilidade das competições profissionais. O vosso contributo supera as conclusões dos grupos de trabalho que serão apresentadas, porque começa no profissionalismo e na união em defesa da nossa indústria”, enalteceu.

O evento reúne representantes das 34 sociedades desportivas e o presidente da FPF, tal como outros parceiros do futebol nacional, incluindo as associações distritais e de classe.

“Devemos orgulhar-nos deste caminho, mentalidade, profissionalismo e exigência, sempre com o contributo das sociedades desportivas, que só claramente demonstram que a única coisa que os separa são os 90 minutos em campo”, destacou, satisfeita pela “capacidade construtiva e de regulação” observada nas Jornadas Anuais do organismo.

Depois de reunirem nos últimos meses, os grupos de trabalho formados por elementos da LPFP e dos clubes vão expor as conclusões e as propostas de alterações regulamentares para o futebol profissional sobre as competições, os conteúdos e media, o planeamento estratégico, os lados financeiro, comercial e jurídico ou os adeptos, entre outras vertentes.