A voleibolista e médica Vanessa Rodrigues, capitã do AVC Famalicão, trocou o equipamento pela bata a tempo inteiro e está envolvida na luta contra a COVID-19, que, disse hoje à agência Lusa, “não dá tréguas”.

“É uma luta dura. Não tenho fins de semana e todos os dias são segunda-feira”, disse Vanessa Rodrigues, a médica/distribuidora, de 32 anos, que após o Europeu2019 se despediu da seleção nacional, da qual também era capitã, precisamente “por motivos profissionais”.

Embora sem estar na linha da frente do combate ao novo coronavírus, Vanessa Rodrigues, enquanto médica de saúde pública, está na retaguarda, na não menos importante missão de gestão dos contactos de risco, identificação, deteção, isolamento profilático e vigilância.

Tendo como áreas de intervenção a Póvoa de Varzim e Vila do Conde, uma das zonas de Portugal com maior comunidade chinesa, que na primeira fase da doença com origem em Wuhan mereceu especial atenção, Vanessa Rodrigues esteve na linha da frente dos primeiros planos de contingência.

“A comunidade chinesa na primeira fase [de contenção à pandemia de COVID-19] requereu especial atenção, mas acabou por se revelar uma comunidade bem organizada e cumpridora das medidas implementadas”, admitiu a profissional da Administração Regional de Saúde do Norte, IP.

Com cerca de 12 horas de trabalho por dia, Vanessa Rodrigues reconhece que conciliar o dia-a-dia de médica, numa altura tão exigente como esta para os profissionais de saúde, com a de atleta de alta competição “é uma tarefa praticamente impossível”.

“Neste momento, é mesmo impossível a conciliação. Estou a 200% como profissional de saúde e 200% na proteção da saúde pública”, admitiu Vanessa Rodrigues, que disputou o último jogo pelo AVC Famalicão em 07 de março, relativo à meia-final da Taça de Portugal, frente ao FC Porto, em Santo Tirso.

“Já nessa altura estava a trabalhar cerca de 12 horas por dia”, recordou Vanessa Rodrigues, admitindo que tem pouco tempo para se dedicar ao treino personalizado, mas que o faz, sempre que pode, para bem da sua “saúde física e escape mental”.

O facto de contar com a experiência de muitos anos como atleta de alta competição de voleibol, Vanessa Rodrigues encara de forma diferente a situação de emergência nacional que se vive no país e consegue “manter o foco e não virar a cara a esta luta”.

“Acredito que o meu ‘background’ como atleta de alta competição me permite ser mais resiliente, orientar uma equipa multidisciplinar, manter o foco e não virar a cara a esta luta, dia após dia, continuamente”, defendeu.

Vanessa Rodrigues, em jeito de conselhos para enfrentar a pandemia do novo coronavírus, recomenda às pessoas para não entrarem em pânico, adotarem uma atitude consciente, informada e racional, e seguirem as indicações da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A médica recomenda, para conter a transmissão do vírus, o distanciamento social, etiqueta respiratória e a lavagem das mãos e, no sentido de ocupar da melhor forma os dias em isolamento profilático, exercício físico e alimentação saudável.

“É importante que se mantenham saudáveis e não diminuam a resistência do sistema imunitário. Para isso, é preciso que se mantenham ativos fisicamente e mentalmente, comam de forma adequada e desfrutem à janela do ar puro e dos raios de sol”, observou.

A atleta diz que, mais do que as medidas aplicadas pelo Governo, DGS e forças de segurança, “têm que ser as pessoas a manter o bom caminho, seguindo, inequivocamente, todas as indicações e recomendações dadas por estas instituições”.

“Depois da tempestade, vem a bonança. Eu não posso, mas quem puder, fique em casa”, pediu Vanessa Rodrigues.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da COVID-19, já infetou mais de 905 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 46 mil. Dos casos de infeção, pelo menos 176.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro de 2019, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia, e o continente europeu é neste momento o mais atingido, com perto de 33.000 mortos e acima de 490 mil pessoas infetadas.

Em Portugal, que está em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril, registaram-se 187 mortes e 8.251 casos de infeções confirmadas, segundo o balanço feito na quarta-feira pela DGS.

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