O sueco Mats Olsson, ex-selecionador português de andebol, acredita que a modalidade entrou numa "nova era" em Portugal e que a equipa nacional pode mesmo atingir as meias-finais do Euro2020, no qual tem como próximo adversário... a Suécia.

"Estou convencido que Portugal vai iniciar uma nova era, com presenças regulares nas grandes competições, tanto pela qualidade da equipa, como também devido ao alargamento do Europeu e do Mundial", disse Mats Olsson à agência Lusa em Malmö, cidade natal, onde na sexta-feira a ‘equipa das quinas' se estreia no Grupo II da ronda principal.

Sete anos após ter deixado o comando da seleção nacional, o atual responsável máximo do departamento de comunicação sueco do Euro2020 - a prova é organizada também pela Noruega e a Áustria - expressa-se num português de carregado tom espanhol, país onde jogou, treinou e tem família, mas perfeitamente compreensível.

"Sigo com alguma regularidade a seleção portuguesa. Não estou muito surpreendido, pois estão a jogar a um nível muito alto. Já tinham vencido a França na fase de qualificação e tiveram muito mérito na forma como eliminaram agora os franceses", defendeu.

Mats Olsson observou que "Portugal deu passos muito importantes nos últimos anos para melhorar a qualidade do seu andebol", o que lhe permitiu, primeiro, apurar-se para o Euro2020, e depois para a ronda principal da prova, tendo vencido França (28-25) e Bósnia-Herzegovina (27-24) e perdido apenas com a vice-campeã mundial Noruega (34-28), anfitriã do Grupo D da primeira fase.

"Há que reconhecer que o nível dos clubes portugueses melhorou muito, não só através de jogadores nacionais com muito talento, mas atraindo também bons jogadores e treinadores estrangeiros, e isso não pode ser dissociado do sucesso da seleção", sustentou.

O antigo internacional sueco foi selecionador português durante sete anos, entre 2005 e 2012, mas encontrou em fim de carreira a designada ‘geração de ouro' do andebol nacional, da qual Carlos Resende, considerado o melhor jogador português de sempre, era o nome mais emblemático.

"Quando assumi o cargo conhecia as circunstâncias e disse que não podíamos pensar em medalhas, mas acreditava muito no potencial do andebol português e na minha capacidade de contribuir para a sua evolução e a verdade é que apostámos em muitos jovens durante esse período", notou.

Quando se despediu do Euro2006 com três derrotas, pensou que Portugal estaria 14 anos afastado da prova continental? "Não, não pensei. Pensei que nos anos imediatos isso poderia acontecer, mas que voltaríamos em seguida, porque havia muito talento nos jovens jogadores. Mas não conseguimos e, às vezes, por tão pouco...".

Mats Olsson olha com carinho para o desempenho de Portugal no Euro2020, no qual há cinco jogadores que conhece bem dos tempos de selecionador (Fábio Magalhães, Rui Silva, Pedro Portela, Belone Moreira e Humberto Gomes): "Fico muito feliz por os ver a ter oportunidade de mostrar o seu valor num Europeu".

Apesar de apoiar duas seleções no torneio, só a Suécia terá lugar no coração do antigo guarda-redes na sexta-feira, até porque se trata de um jogo "fundamental para poder atingir as meias-finais, uma vez que as duas equipas começam a ronda principal com zero pontos".

"São quatro jogos [no Grupo II da segunda fase] de muita luta. Só existe um grande favorito neste grupo, que é a Noruega, cuja seleção está a demonstrar grande superioridade. O resto parece-me muito equilibrado e acho que Portugal tem as mesmas possibilidades da Suécia de chegar às meias-finais", vaticinou.

A ligação a Portugal é antiga e proveitosa. Foi no Porto que se sagrou pela primeira vez campeão europeu, em 1994, na edição inaugural do torneio continental, mas, aos 60 anos, só pondera regressar ao país na condição de visitante.

"Tenho muitas boas memórias. Tento visitar Portugal de dois em dois anos para reencontrar amigos e o sol de Lisboa. Para voltar a trabalhar será difícil, mas em visita é sempre um imenso prazer", disse Mats Olsson, com uma expressão que pareceu de saudade.

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