O desporto nacional tem “estado sempre à frente e na vanguarda em termos internacionais” quanto à inclusão das comunidades imigrantes, disse na quinta-feira o presidente do Instituto Português da Juventude e do Desporto.

“Se há área social em que a inclusão é uma prioridade muito natural, é precisamente o desporto. Salvo raras exceções, as organizações desportivas acolhem os imigrantes com muita naturalidade, têm um papel fundamental na sua inclusão e até geram vantagens para si mesmas”, notou Vítor Pataco, numa sessão virtual do Panathlon Clube de Lisboa.

Portugal conta com quase 600.000 imigrantes, dos quais 133.000 em idade jovem, e vê a integração destas comunidades “plasmada em vários documentos”, desde a legislação desportiva até à Carta Europeia do Desporto, passando pela Constituição da República.

“Isso não significa uma prática garantida, algo que vem existindo no caso português. O Farid Walizadeh é um exemplo muito expressivo do contributo do desporto nesta área”, apontou, aludindo ao refugiado afegão e pugilista, que renasceu em Portugal desde o acolhimento em 28 de dezembro de 2012, após uma vida de inúmeros obstáculos.

Vítor Pataco reconhece a ausência nos clubes de “políticas específicas para acolher imigrantes”, até pela “forma natural” com que aqueles atletas costumam ser recebidos, mas atribui “maiores dificuldades” inerentes à regulamentação de várias modalidades.

“Muitas vezes, quando os atletas começam a ter um nível competitivo elevado, encontramos limitações quanto à possibilidade de progredirem e lutarem por títulos nacionais. No geral, o desporto é um instrumento absolutamente bem-sucedido do ponto de vista da inclusão”, ressalvou o líder do organismo pertencente ao Estado.

A barreira linguística costuma levantar “problemas sérios” nesta aproximação às comunidades estrangeiras, cujo relacionamento em termos de diversidade social “é muito pertinente” e “devia ser vertido” para a formação contínua de treinadores e dirigentes.

“O Instituto Português da Juventude e do Desporto tem uma série de programas com impacto nesta área social. Um deles visa conciliar o sucesso escolar e desportivo e tem cerca de 690 alunos enquadrados por 32 federações e mais de 200 clubes. 16 deles vieram de sete países e estão em quatro unidades de apoio ao alto rendimento”, referiu.

Vítor Pataco frisa que essa iniciativa “nada tinha a ver com a imigração”, embora venha desempenhando um “papel inclusivo” numa “lógica de cooperação entre desporto e educação”, servindo ainda como “bom exemplo” para “quebrar barreiras comunicativas”.

“Estamos a gravitar numa questão centrada na salvaguarda dos direitos humanos e no combate a todas as formas de discriminação. Só é possível garantir isso com modelos cooperativos e muitas parcerias. Não há nada mais gratificante do que testemunhar a alegria que o desporto traz à vida de uma criança numa situação de imigrante”, sugeriu.

Novos apoios destinados à integração social da comunidade estrangeira poderão ser incluídos no programa Desporto para Todos, através do qual o Instituto tenta “promover valores olímpicos ou prevenir delinquência juvenil e abandono escolar precoce”.

“Sem ser uma linha de apoio específica, tem apoiado projetos que se relacionem com áreas de inclusão. Pretendemos que o desporto possa ser um instrumento alavancador da inclusão de imigrantes em Portugal. Eles têm um papel fundamental no equilíbrio demográfico e na riqueza cultural que o nosso país representa”, finalizou Vítor Pataco.

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