Um duelo de campeões. Os jogos entre Portugal e França são sempre renhidos, embora os gauleses levam vantagem.

Este sábado, o detentor do título da Liga das Nações e atual campeão europeu, Portugal defronta a França, campeã mundial em título, na 5ª jornada do grupo 3 da Liga A da Liga das Nações. Um jogo que pode decidir, desde ja, a seleção apurada para as meias-finais da Liga das Nações.

Em 26 duelos com a congénere França, a seleção nacional apenas conseguiu seis triunfos, mas a verdade é que um deles terá valido por todos os desaires anteriores, esse inesquecível triunfo, conseguido com aquele golo de Éder no prolongamento da final do Euro 2016. O facto é que foi uma exceção num histórico nada positivo da seleção de Portugal ante a sua congénere francesa, durante muito tempo uma das suas 'bestas negras'.

Um histórico negro: Muitas derrotas, um empate e escassas vitórias

Ao todo, Portugal e França já mediram forças por 25 vezes e o registo dos gauleses é muito superior ao dos portugueses. Desses 26 embates, os gauleses ganharam nada mais, nada menos do que 18. Uma percentagem de 69% de vitórias para o lado francês. Portugal, por seu lado, venceu apenas 6 (23%), havendo registo de dois empates entre as duas seleções, logo no terceiro frente a frente, no longínquo ano de 1927 e no recente 0-0 em Paris.

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E, como não poderia deixar de ser, perante este registo, o saldo de golos também não é nada agradável para as cores nacionais: 29 golos marcados e 49 sofridos… Olhando para os encontros disputados em solo português, as contas, para Portugal, são de apenas três vitórias e cinco derrotas em oito jogos. Ou seja, a seleção lusa perdeu 63% dos jogos que disputou contra a França em casa.

E os resultados mais desnivelados?

Curiosamente, a maior vitória alguma vez alcançada por Portugal sobre a França é exatamente igual à maior vitória alcançada pela França sobre Portugal. 'Les Bleus' bateram a 'Equipa das Quinas' por 4-0 num amigável jogado no Stade de France, a 25 de abril de 2001. Orientada por António Oliveira e mesmo com nomes como Figo, Fernando Couto ou Sérgio Conceição em campo, a Seleção nacional foi incapaz de resistir a uma França, então campeã em título da Europa e, como agora, do Mundo, que marcou por Henry, Wiltord, Silvestre e Djorkaeff.

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Foi uma espécie de desforra daquela que tinha sido a maior goleada entre as duas seleções até aí. Em 1927, Portugal tinha batido a França por iguais 4-0 logo ao segundo frente a frente. O jogo foi disputado no Lumiar.

Para além dessas duas goleadas, uma para cada lado, merecem ainda destaque mais duas vitórias da França, por 3-0: a primeira em solo gaulês, em 1952, a segunda em solo luso, em 1983.

Uma série negra interrompida por um herói improvável

Quando se apontava a França como um dos 'papões' de Portugal em termos de seleções, não era à toa. Portugal passou por uma série de dez derrotas consecutivas em embates com os franceses. Mas valeu a pena a espera por nova vitória.

Entre 1978 e 2015, a 'Equipa das Quinas' fez dez jogos contra a França e perdeu...10! Sete desses desaires foram em partidas amigáveis e três foram em meias-finais de grandes competições. É verdade, por três vezes Portugal bateu à porta da final de uma grande competição e esbarrou na França: foi assim no Euro 1984, jogado em França, no Euro 2000, disputado na Holanda e na Bélgica, e no Mundial de 2006, que decorreu na Alemanha. Derrotas pela margem mínima (3-2, 2-1 e 1-0), duas delas após prolongamento.

Até que, ao 11º jogo, a 10 de julho de 2016, depois dessa série de 10 derrotas seguidas, a vingança chegou. E não podia ter sido mais saborosa. No país do adversário, também após prolongamento e numa final, Portugal voltava aos triunfos sobre França e conquistava o seu primeiro grande troféu de seleções. Desde então, não mais os dois países se voltaram a encontrar. Até ao passado mês de outubro.

Esse 10 de julho de 2016 foi mítico, mas houve outros embates memoráveis

O golo de Éder e esse triunfo histórico ficarão para sempre na memória de todos as que a ele assistiram. Mas outros Portugal-França também são difíceis de esquecer para quem os viu. As referidas meias-finais que terminaram com derrotas lusas têm igualmente, todas elas, uma história para contar.

No Campeonato da Europa de 1984, jogado em França, Portugal disputava pela primeira vez a fase final de um Europeu e surpreendeu na caminhada até às meias-finais. Aí, perante a anfitriã, liderada pelo astro Michel Platini, esteve perto de voltar a surpreender. Começou a perder, mas Jordão empatou e levou a decisão para um prolongamento no qual bisou, virando o resultado. Quando Portugal já estava com um pé na final, a França empatou e, depois, chegou ao 3-2 por Platini, a um minuto dos 120. A França acabaria por erguer o troféu.

Avançamos no tempo e chegamos a 2000. Portugal, então já uma seleção mais respeitada, mas ainda assim apenas na sua terceira fase final de um Euro, estava a realizar mais uma campanha notável e a surpreender. Era a 'geração de ouro', com Fernando Couto, Figo, Rui Costa e João Pinto, entre outros, no seu melhor. E outros jogadores a aparecerem, como Nuno Gomes, que nessa meia-final com a França, em Bruxelas, abriu o ativo.

No entanto, a França era, como agora, campeã do mundo em título e tinha jogadores como Henry, que empatou a partida a abrir o segundo tempo. Ou como Zidane, que no prolongamento converteu aquele polémico penálti cometido por Abel Xavier para, com um 'golo de ouro', fixar o resultado em 2-1 e selar a passagem dos gauleses à final, rumo à conquista do Euro 2000.

Chegamos a 2006 e a mais uma meia-final. O jogo foi em Munique e Portugal ainda tinha Figo, mas também já contava com Cristiano Ronaldo. A França, por seu lado, continuava a ter Henry e Zidane. O segundo converteu uma grande penalidade a castigar falta sobre o primeiro e não houve mais golos. 1-0 para a França e mais uma derrota amarga para Portugal.

O doce sabor da vitória chegaria, então, 10 anos depois, em pleno Stade de France. E que saboroso que foi...

O reencontro

No passado mês de outubro, os dois países voltaram a subir ao relvado do Stade de France, de grande memória para o lado português, empatados na liderança do agrupamento da Liga das Nações, na altura com seis pontos, com a equipa gaulesa a ter o rótulo de favorita devido ao excelente momento que estava a passar e de ter o estatuto de atual campeã mundial.

Além de somar 10 triunfos consecutivos, o último uma goleada num particular por 7-1 sobre a Ucrânia, equipa que dificultou muito a vida a Portugal na fase de qualificação para o Euro2020 (0-0 na Luz e derrota por 2-1 em Kiev), a equipa de Didier Deschamps poderia ainda querer ‘vingar’ a derrota bem amarga de há quatro anos, na final do Euro2016.

No entanto, Portugal e França empataram e continuaram assim com sete pontos no grupo 3 da Liga A da Liga das Nações. Depois disso, Portugal já venceu a Suécia por 3-0, enquanto França venceu a Croácia por 2-1. Assim, portugueses e franceses continuam a dividir a liderança do grupo, mas atualmente com dez pontos.

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