Declarações de Zé Castro, capitão da Académica, no dia em que ficou consumada a descida da Briosa ao terceiro escalão do futebol português.

Reação a descida de divisão: "O futebol ensina-nos muita coisa, o futebol é isto mesmo, uma aprendizagem para todos. Os jogadores, para o bom e para o mau, para mim, são os principais culpados. Temos de assumir as responsabilidades, no bom e no mau. É o futebol. Faz parte. Temos de mudar um bocado a nossa cultura futebolística, ninguém é melhor por perder ou ganhar. Temos de deixar de pensar isso. Futebolisticamente falando, somos muito ignorantes. Não somos analfabetos, porque analfabetismo é quem nunca pôde aprender. Quem pôde aprender e não quer, é ignorante. A nível de futebol ainda somos um país bastante ignorante. Temos muito que aprender.

Impacto da descida: "Para a Académica é um passo atrás. O clube pode destruturar-se, mas pode depois dar dois passos à frente. Oxalá seja assim. A Académica é o meu único clube e vai ser sempre o meu único clube. Isto acontece. Um dia a uns, outro dia a outros. A nossa cultura tem de mudar um bocado um bocado. Temos de nos preparar para mudar isso. Cada vez há menos gente a gostar de futebol. Cada vez há mais gente a querer só ganhar e não gosta dos clubes, aproveita-se. Temos de gostar de futebol primeiro e depois seguir em frente. Não desresponsabilizar os jogadores. Oxalá a Académica cresça. Não tenho de pedir desculpas, porque quem dá tudo não tem de pedir de desculpas. Espero que o clube suba já no próximo ano e consiga aquilo que merece, que é estar no patamar mais alto do futebol."

É o fim da sua carreira como jogador? "Era o meu último ano como jogador, os meus colegas sabem, toda a gente sabe. Mas é o menos importante. Nunca me aproveitei das coisas."

E agora? "Vou estar fora do futebol pelo menos por um ano. O futebol dá muito e tira muito. Neste momento momento não sou nada nem ninguém. Nem quero saber de mim neste momento. Não quero pensar em mim, farei a minha vida. A Académica é muito mais importante do que qualquer jogador e qualquer pessoa. As pessoas devem sempre tentar ter mais conhecimento com quem sabe."

A histórica Académica, vice-campeã nacional em 1966/67, caiu hoje, pela primeira vez na sua história, para o terceiro escalão do futebol português, ao empatar a zero com o Penafiel, em jogo da 30.ª jornada da II Liga.

Em Coimbra, o empate consumou a oitava descida da história da Académica, a primeira ao terceiro escalão, uma vez que, com quatro rondas por disputar, os ‘estudantes’ matematicamente já não podem deixar os lugares de despromoção: somam 16 pontos, menos 11 do que o Académico de Viseu, também em zona de despromoção direta, e 12 do que o Trofense, que ocupa o lugar reservado ao ‘play-off’ de manutenção, com estas duas equipas a defrontarem-se ainda hoje.

A Académica, um dos históricos clubes nacionais, jogará assim na Liga 3 em 2022/23, depois de 88 épocas consecutivas, desde 1934/35, entre a primeira e a segunda divisões do futebol luso, num trajeto que até hoje contava com sete descidas e 24 presenças na divisão secundária.

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