O presidente do Sporting, Frederico Varandas, afirmou esta noite, em entrevista á SIC, que nenhum clube estava preparado para lidar com a situação provocada com a pandemia de COVID-19. Contudo, mostrou-se confiante que as medidas tomadas pelo clube de Alvalade o vão ajudar a ultrapassar a situação.

"Acho que nenhum clube estava preparado para o Covid-19. Em termos de Sporting, ajudou muito as medidas tomadas, termos reduzido em muitos milhões o custo da equipa principal e aumentar o investimento na formação. Ajudou-nos a estar um pouco mais bem preparados", explicou.

Frederico Varandas sublinhou que essa terá mesmo de ser, agora, a solução. "Mais do que nunca, o Sporting vai ter de viver da formação. Em muito boa hora, há dois anos, investimos na formação. Identificámos miúdos que na altura tinham 15 e 16 anos e investimos muito neles", lembrou.

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"É um projeto de crescimento centrado no jogador e hoje já estiveram no campo principal seis miúdos que vão fazer parte do plantel principal", avançou Frederico Varandas.

"Vai ser uma nova realidade e um problema gravíssimo"

Sobre o regresso da I Liga, Frederico Varandas afirmou estar de acordo, mostrando-se contudo preocupado com a quebra a nível de receitas. "Se o futebol profissional não pode arrancar, que empresa em Portugal pode? Não há nenhuma empresa em Portugal onde os trabalhadores tenham tão boas condições e tão poucos fatores de risco. O grande problema vai ser o mercado de transferências, de onde vem 50% das receitas, das vendas de jogadores. O mercado português é exportador de jogadores. Vai demorar uns bons anos para os clubes grandes voltarem a ter a capacidade financeira que tinham antes da pandemia", frisou.

Frederico Varandas mencionou ainda outras restrições com as quais o clube talvez se tenha de vir a deparar também na próxima época, ainda por culpa da COVID-19. "Para o ano talvez tenhamos de vender só um quarto dos estádios e isso significa um quarto de receita de bilhética, de sponsors, de patrocinadores, parceiros. Vai ser uma nova realidade e um problema gravíssimo. Num momento como este, há o instinto de sobrevivência e se os grandes não defenderem a indústria do futebol numa altura destas, não estaremos cá muito tempo", acrescentou.

Atraso no pagamento de Rúben Amorim "é uma novela"

Também a questão do atraso no pagamento ao Braga referente ao treinador Rúben Amorim foi abordada. "Mais do que uma questão, é uma novela. Recebi um email do meu banco a dizer que podia atrasar um empréstimo bancário da minha casa no tempo do covid-19. Os impostos, o Governo fez igual. A única coisa foi porque o Sporting não fez um pagamento na data x do Rúben Amorim. Não vou alimentar mais essa novela, o Sporting é um clube de bem, cumpre e vai pagar o Rúben Amorim, como está a pagar. Como o Braga, o Sporting tem cinco ou seis clubes que não lhe conseguem pagar. Mas o Sporting sabe o que esses clubes estão a sentir e não vamos para a praça pública expor esses clubes", frisou o presidente do Sporting.

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