António Salvador revelou hoje ter proposto dobrar o salário de Rúben Amorim para 600 mil euros por época para o técnico continuar no Sporting de Braga, mas o Sporting ofereceu 2,5 milhões por ano ao treinador de futebol.

"Ele cá ganhava 300 mil euros [por época], propus renovação por mais um ano a dobrar-lhe o salário, passar a ganhar 600 mil, mas quando há um clube que paga 2,5 milhões de euros não é possível, infelizmente, o Sporting de Braga acompanhar", revelou o presidente 'arsenalista' numa entrevista que inaugurava as novas instalações da NEXT, televisão do clube que transmite na internet.

Depois de o Sporting ter falhado os prazos de pagamento dos 10 milhões de euros (ME) da cláusula de rescisão do técnico que contratou em março aos minhotos, e após um ultimato do Sporting de Braga, os dois clubes chegaram a um novo acordo, na semana passada, para o pagamento da dívida, que já engloba juros e penalizações.

Para António Salvador, "se havia algo que o Sporting não poderia falhar era com este negócio", porque, se "o Braga já teve os seus problemas e os seus incumprimentos" e "num negócio normal de jogadores" há disponibilidade "para conversar e analisar", neste caso "foi um treinador que o Sporting veio buscar que o Braga não queria vender e com a época em andamento".

António Salvador disse ainda "não ter dúvidas de que o Sporting vai cumprir o acordo desta vez".

"Se quisesse ser mauzinho, pedia para o Sporting não cumprir, porque isso custaria mais 1,8 ME do que aquilo que já vai custar. Mas acredito cegamente que o Sporting vai cumprir o que foi estipulado no último acordo, que só foi feito porque, no último dia, o Frederico Varandas me fez uma chamada a justificar que não tinha condições de pagar e que queria fazer um acordo com o Braga", disse.

Segundo o líder dos minhotos, "as pessoas do Sporting tiveram humildade e perceberam”. “Percebo que tivessem esticado a corda, ou porque mal aconselhados pela sua área jurídica ou pela área financeira, mas o seu presidente teve a hombridade de me ligar e pedir para nos sentarmos à mesa e fazermos um novo acordo", sustentou.

Entre críticas ao Governo português, António Salvador espera que o Estado ajude os clubes dadas as dificuldades económicas que a pandemia de covid-19 trouxe.

"O nosso Governo tem tratado o futebol muito mal. A indústria do futebol é uma indústria que contribui muito para o PIB [Produto Interno Bruto] português. Só nesta última década, o Braga pagou mais de 85 milhões de impostos ao Estado. Por causa da pandemia, o nosso Governo devia olhar para os clubes de forma diferente. Tem ajudado as outras empresas, e muito bem, mas entendo que o futebol também devia ter sido analisado e olhado de outra forma", referiu.

O presidente do Sporting de Braga quer ver de novo nas bancadas os adeptos, defendendo que "os clubes estão na linha da frente e preparados" para isso.

"Se até percebemos que o último campeonato não teve adeptos, não se consegue perceber bem este sem adeptos. Não sou contra a Festa do Avante, contras as touradas, cinema ou teatro, mas é importante que os governantes percebam que o futebol é uma indústria importante para o país e que tem ainda mais segurança do que esses espetáculos”, sustentou.

Segundo o dirigente, os clubes estão na linha da frente e estão preparados para o regresso dos espetadores.

“Apresentámos um plano à DGS [Direção-Geral da Saúde] para que houvesse público contra o Valladolid e não foi possível. Mas não vamos desistir, porque a alma do futebol são os nossos adeptos nas bancadas", concluiu.

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