O presidente do Moreirense, Vítor Magalhães, considerou hoje que a retoma da I Liga portuguesa de futebol é a "medida certa", por valorizar a "economia real" e ajudar as pessoas a manterem-se em casa durante a pandemia covid-19.

Suspenso desde 12 de março, o campeonato, liderado pelo FC Porto após 24 jornadas, vai poder ser retomado a partir de 30 e 31 de maio, com jogos à porta fechada, de acordo com uma das medidas de desconfinamento aprovadas hoje em Conselho de Ministros, saudada pelo dirigente ‘cónego'.

"Os nossos governantes tomaram a medida certa. Os jovens não podem continuar mais tempo em casa, e as pessoas que praticam futebol são jovens. Não podemos continuar toda a nossa vida dentro de casa, senão a economia real para", realçou o líder do clube da vila de Moreira de Cónegos, atual oitavo classificado.

Vítor Magalhães admitiu que o regresso da competição vai revigorar a "indústria" que é o futebol, até pelas previsíveis transmissões televisivas dos jogos em falta, no seu entender "importantíssimas" para o funcionamento de todos os emblemas da I Liga, inclusive aqueles que catalogou de ‘grandes'.

"No Moreirense, [as receitas das transmissões televisivas] têm um peso superior a 80% no orçamento, o que compensa a desvalorização de ativos, e as perdas nas quotizações e nas receitas de alguns jogos. O clube vive com as receitas da televisão e com receitas extraordinárias", esclareceu.

O presidente do clube de Guimarães considerou ainda que a realização de jogos à porta fechada com transmissão televisiva pode ser um incentivo para a população portuguesa, principalmente a "mais velha", se manter "resguardada".

Apesar dos "riscos" associados à pandemia, Vítor Magalhães sublinhou ainda que a medida tomada pelo Governo beneficia os jogadores, quer por ajudarem as "pessoas mais velhas ou com problemas de saúde" a manterem-se nas suas casas, quer por terem a oportunidade de voltar ao relvado.

"Os jogadores precisam de ir para o ‘tapete verde' mostrar a sua qualidade e a sua entrega. Todos juntos, com bom senso, vamos vencer esta crise provocada por esta pandemia", disse.

O dirigente reconheceu, porém, que o regresso ao trabalho, ainda sem data marcada, vai acontecer de "forma condicionada", segundo a orientação do departamento médico, já que a "pandemia veio para ficar" e "todos os cuidados" são necessários.

As medidas de desconfinamento, hoje aprovadas no âmbito da transição do estado de emergência, que cessa no sábado, para o estado de calamidade, permitem ainda a realização da final da Taça de Portugal e a prática de desportos individuais ao ar livre, mas não a retoma da II Liga de futebol.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 227 mil mortos e infetou quase 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Cerca de 908 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 989 pessoas das 25.045 confirmadas como infetadas, e há 1.519 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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