O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) exigiu hoje o regresso do público aos estádios em 2020/21 e disse que o futebol não vai aceitar um “processo discriminatório” em relação a outros setores de atividade.

Em discurso proferido na abertura da conferência 'Talks Santander/Record', em Lisboa, Pedro Proença apontou o regresso do público aos estádios como um dos vetores que podem ajudar a mitigar a perda de receitas dos clubes profissionais devido à pandemia de covid-19 e lembrou que o futebol “serviu de montra para as boas práticas no combate à pandemia”.

“Exigimos o nosso público. Temos vindo a assistir à reabertura progressiva do país, que não podia mais adiar a retoma económica. Aos restaurantes e hotéis seguiram-se os espetáculos culturais, as touradas, os concertos, as feiras, os festivais e, agora, até eventos desportivos de automobilismo e motociclismo com elevada afluência de público. O nosso aplauso à forma como o governo vai conduzindo o regresso à normalidade e que não pode ser agora interrompida por uma mudança abrupta de critérios quando se fala do futebol”, atirou Pedro Proença.

O presidente da Liga garantiu, ainda, que o futebol “jamais colocará os seus interesses à frente dos da saúde pública”, mas sublinhou que, à imagem de outros espetáculos, também os “artistas” do futebol “não vivem sem o calor do seu público, sem o som dos seus aplausos ou o pulsar das suas paixões”.

“Não negligenciaremos os receios de quem alerta para os perigos de contágio através do comportamento emocional de massas, mas pedimos reflexão e reconhecimento para uma atividade que já deu provas da forma precavida, planeada e responsável com que encara os desafios que esta pandemia nos tem suscitado”, assumiu Pedro Proença.

Nesse sentido, o líder do organismo que tutela o futebol profissional reiterou que a Liga já apresentou ao governo e à Direção-Geral da Saúde (DGS) uma proposta para que os adeptos possam regressar aos estádios “de forma gradual”.

“Em cumprimento dos planos de contingência específicos para cada infraestrutura e onde serão assegurados circuitos de segurança próprios e outros requisitos para que o acesso e permanência se possa efetuar de forma convergente, com regras e com rigor”, enumerou Pedro Proença.

Após a declaração de pandemia, em março, a maioria das competições desportivas foram interrompidas, incluindo os campeonatos de futebol em Portugal.

Em junho, a I Liga obteve autorização do governo para concluir as 10 jornadas que restavam no momento da interrupção, num plano de desconfinamento que previa a disputa de todos os jogos à porta fechada e deixou de fora a II Liga de futebol e várias outras modalidades.

Portugal contabiliza pelo menos 1.792 mortos associados à covid-19 em 55.211 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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