O despromovido Desportivo das Avesa avisou que faltar ao jogo no estádio do Portimonense, da 34.ª e última jornada da I Liga de futebol, previsto para 26 de julho.

Os avenses explicam, em comunicado enviado à Lusa, que "não estão reunidas as condições para salvaguardar a verdade desportiva e a transparência na luta pela permanência na I Liga na deslocação a Portimão". As rescisões quase diárias (já são sete, devido a salários em atraso), e outras que poderão seguir-se nos próximos dias de jogadores do plantel com vários meses de salários em atraso são justificadas pela SAD do Aves para não comparecer no derradeiro jogo com os algarvios, equipa que está na luta pela manutenção.

No comunicado, o emblema avense pede que não se atribua os pontos em jogo frente ao Portimonense mas não é bem assim.

Se o clube faltar mesmo o jogo com o Portimonense, o caso será enquadrado no artigo 16.º do Regulamento de Competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP): "A falta de comparência não justificada de um clube a jogo oficial de uma competição por pontos determina, nos termos previstos no Regulamento Disciplinar, a atribuição ao clube adversário dos três pontos correspondentes à vitória".

Esta não comparência do Aves não terá efeitos naquilo que já se jogou na Liga, ou seja, não irá mexer com a atual tabela classificativa, onde o FC Porto foi coroado campeão, o Benfica assegurou o segundo lugar e há luta pelo 3.º lugar entre SC Braga e Sporting.

A ausência "em algum dos três últimos jogos de uma competição a disputar por pontos" determina, segundo o artigo 76.º do Regulamento Disciplinar da LPFP, a "sanção de derrota no jogo ao clube que não compareceu e subtração de todos os pontos até então obtidos", à qual se pode agregar uma coima de 250 a 500 unidades de conta (UC).

A decisão do Desportivo das Aves em não comparecer ao jogo frente ao Portimonense surge algumas horas depois de o defesa internacional angolano Jonathan Buatu, que estava cedido pelo Rio Ave desde janeiro, ter sido o sétimo atleta a justificar a desvinculação do emblema do concelho de Santo Tirso com sucessivos incumprimentos salariais, verificados desde dezembro de 2019.

O guarda-redes francês Quentin Beunardeau e o avançado brasileiro Welinton Júnior entregaram pedidos de rescisão em abril, em plena pausa competitiva motivada pela pandemia de COVID-19, enquanto os médios Aaron Tshibola, Estrela e Pedro Delgado e o avançado Kevin Yamga consumaram as respetivas saídas na semana passada.

"Estes jogadores rescindiram com o conhecimento da SAD. Não foi uma rescisão conflituosa, mas de comum acordo. O Pedro estava emprestado e continuamos em negociações com os outros dois. Efetivamente temos salários em atraso, mas nada se deveu a isso", explicou administradora Estrela Costa, acionista da Galaxy Believers, que gere o futebol avense.

"Pedi friamente que quem quisesse ir embora, fosse. Queria ter a certeza de que este clube, que já desceu, iria lutar com o mesmo objetivo de ganhar" valorizou Estrela Costa à Lusa.

Na passada quinta-feira, 09 de julho, Estrela Costa frisou à agência Lusa que as saídas do médio internacional congolês Aaron Tshibola, do também médio luso-chinês Pedro Delgado e do extremo franco-camaronês Kevin Yamga “nada se deveram” ao incumprimento de ordenados.

A tese é contrariada por todos os jogadores desvinculados e a administradora prometeu liquidar até segunda-feira, 13 de julho, os vencimentos de abril e maio à estrutura dos nortenhos, incluindo os 35% que a administração e o plantel acordaram cativar devido à paragem motivada pela pandemia de COVID-19, sob pena de a I Liga não ser retomada. Só que até hoje, nada foi pago.

A SAD do Desportivo das Aves foi absolvida em 30 de junho da acusação de incumprimento salarial com jogadores e treinadores entre dezembro e março, mas aguarda pela resolução de outro processo idêntico, assente na ausência de documentos comprovativos quanto à regularização dos vencimentos dos meses de março e abril.

O assunto foi remetido da LPFP para o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol em 09 de junho, podendo custar uma penalização de dois a cinco pontos, face aos 17 somados em 32 jornadas pelos nortenhos, que confirmaram a despromoção à II Liga em 29 de junho.

O Desportivo das Aves ocupa a 18.ª e última posição, com 17 pontos, mas já evitou o estatuto de lanterna-vermelha da história da Liga NOS com menos pontos num campeonato disputado a 34 rondas e com menor média de pontos por desafio, superando o registo do Penafiel na temporada 2005/06, com 15 pontos somados à média de 0,44 por jogo.

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