Uma menina morta, acusações de fraude, uma dezena de prisões: o Tianjin Quanjian, clube chinês que foi orientado pelo técnico português Paulo Sousa, e onde milita o atacante brasileiro Alexandre Pato atravessa uma crise que pode originar o desaparecimento do clube.

No meio da tempestade, o atacante brasileiro de 29 anos - que chegou ao clube chinês para relançar a carreira no início de 2017 - não sabe se continuará no país asiático na próxima temporada. A época arranca em março.

Embora o grupo farmacêutico Quanjian continue como proprietário deste clube com sede na grande cidade portuária de Tianjin (norte), as autoridades chinesas assumiram a gestão do emblema, que se viu obrigado a mudar de nome para "Tianjin Tianhai".

Sem dinheiro, o clube que terminou em 9.º no último campeonato chinês, precisa agora de lutar pela sua sobrevivência e para isso poderá ter que vender parte do seu plantel para não ir ao fundo.

O princípio da queda começou há um ano

A queda do Tianjin Quanjian, clube que lutava pelos primeiros lugares na China, começou em final de dezembro. A empresa proprietária do clube, especializada em medicina tradicional chinesa apareceu nas capas dos jornais e pelos piores motivos, devido à morte de uma menina de três anos.

A criança, que sofria de cancro, teria interrompido um tratamento de quimioterapia para se tratar exclusivamente com produtos do grupo farmacêutico. Acabou por falecer em dezembro de 2015, aos 7 anos.

O caso ganhou notoriedade após a publicação de um artigo em dezembro do ano passado num site dedicado a questões de saúde.

Partilhada nas redes sociais, a história da morte desta criança provocou um grande alvoroço e levantou dúvidas sobre os produtos da Quanjian.

A empresa farmacêutica também está a ser alvo de uma investigação por suspeita de fraude e publicidade enganosa, de acordo com a agência de notícia Xinhua.

O fundador da Quanjian, Shu Yuhu foi entretanto detido, segundo o diário oficial China Daily.

"Se o clube não encontrar um novo dono, o Tianjin vai provavelmente descer de divisão", analisa Chen, adepto do Tianjin desde os 6 anos de idade.

"E se daqui até final de 2019 nenhuma empresa fizer uma proposta pelo Tianjin, a equipa poderá desaparecer e os jogadores livres para assinar por outros clubes", prevê o homem de 33 anos.

A maioria dos 16 clubes da Super League chinesa pertence a grandes grupos económicos, presentes no mercado imobiliário (Guangzhou Evergrande, Shandong Luneng), no sector financeiro (Beijing Sinobo Guo'an), na indústria dos eletrodomésticos (Jiangsu Suning) ou na atividade portuária (Shanghai SIPG).

A bandeira do emblema foi retirada nos últimos dias da sede do clube, o que constitui um péssimo sinal em relação ao momento do clube. Um total contraste em relação ao que aconteceu há apenas um ano. A equipa terminou em 2017 no terceiro lugar do Campeonato Chinês sob o comando do técnico italiano Fabio Cannavaro.

Alexandre Pato fazia parte de uma equipa que contava Anthony Modeste (ex-Colônia) e Axel Witsel, que foi comprado ao Dortmund por 20 milhões de euros.

Pato é o única estrela da equipa, que se encontra a realizar a pré-temporada nos Emirados Árabes Unidos.

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