O advogado Pedro Henriques, que prestava assessoria ao antigo CEO do fundo de investimento Doyen, Nélio Lucas, assegurou hoje em tribunal que não conhecia anteriormente os inspetores da Polícia Judiciária (PJ) responsáveis pela investigação do processo ‘Football Leaks’.

Na 28.ª sessão do julgamento em curso no Tribunal Central Criminal de Lisboa, o colaborador de Nélio Lucas foi confrontado com uma troca de emails em novembro de 2015 com o inspetor Rogério Bravo, na qual este o tratava por tu e em que chegou a enviar uma sugestão de requerimento para ser apresentada à Procuradora-Geral da República, que era então Joana Marques Vidal.

A mensagem de correio eletrónico foi enviada de um email pessoal do inspetor, em que este pedia para dar conhecimento ao “amigo N” e para limpar a “origem”, no sentido de “prevenir incidentes”. A situação foi alvo de insistentes questões da presidente do coletivo de juízes, Margarida Alves, que deduziu que o “amigo N” seria Nélio Lucas e chegou a considerar que este procedimento “não é normal” num processo.

“O tratamento que ele tinha comigo era de naturalidade, não sei se é a sua forma de tratar as pessoas. Não tenho qualquer relação com ele, não o conhecia, não consigo ter qualquer explicação para me tratar assim”, afirmou Pedro Henriques, que confessou também não ter “ideia” da questão que levou Rogério Bravo a mandar-lhe uma proposta de minuta: “Tem de perguntar ao inspetor”.

Já numa fase anterior da sessão, Pedro Henriques tinha esclarecido que só conheceu Rogério Bravo (e o inspetor José Amador) no dia em que se deslocou à Judiciária para acompanhar Nélio Lucas. “Não tinha nenhum contacto na PJ e nem o Nélio”, acrescentou, justificando o recurso à Judiciária por ser “o órgão de polícia criminal mais apropriado” para a situação.

A reunião na área de serviço da autoestrada A5, em Oeiras, entre Nélio Lucas, Pedro Henriques e o advogado Aníbal Pinto, então em representação de Artem Lobuzov, concentrou também grande parte da audição da testemunha. O colaborador do CEO da Doyen explicou que foi este a determinar o local e não a PJ, disse que as autoridades tinham sido informadas, mas admitiu não se ter apercebido da sua presença na estação de serviço.

“Expliquei a Nélio Lucas que isto era uma extorsão e foi enquanto amigo que aceitei acompanhar – mas sempre com renitência -, até um determinado ponto em que cheguei a um limite”, sublinhou Pedro Henriques, cuja audição teve de ser interrompida com o final dos trabalhos, prosseguindo esta quinta-feira a partir das 09:30.

Rui Pinto, de 32 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do 'Football Leaks' encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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