O português Diogo ‘Dixon’ Santos começou por jogar Counter-Strike de forma profissional, mas este ano ‘migrou’ para Valorant e atualmente procura a sorte na equipa de esports da Universidade Católica de Múrcia (UCAM), em Espanha.

Natural de Vila Franca de Xira, o jogador de 27 anos joga competitivamente desde 2007, depois de ter começado “com amigos” no CS 1.6, um precursor do Counter-Strike: Global Ofensive, onde começou a “ganhar o gosto” por ‘shooters’ táticos.

Tornou-se profissional na equipa espanhola Baskonia, em 2017, e passou depois por formações como a portuguesa FTW ou a Hexagone, entre outros, antes de deixar de jogar em 2018.

“Quando saiu o Valorant, mudei logo. Despertou-me o bichinho competitivo cá dentro, porque já não tinha tanta vontade para CS. (...) Veio despertar a competitividade, com a diferença que vai marcando durante as atualizações, os novos agentes...”, explica à Lusa.

Lançado em ‘beta’ (uma versão não finalizada do jogo acessível a jogadores) em abril, com uma versão definitiva a sair, de forma gratuita, para computadores em junho, o jogo combina elementos de um ‘shooter’, um género de que é exemplo máximo o Counter Strike:Global Offensive, com outros elementos.

Depois de encontrar em Portugal “uma mentalidade muito diferente da de lá de fora”, criou uma equipa no estrangeiro, chegando à formação internacional na UCAM, por que também joga o português Dmitro ‘Dimaxx’ Paliy.

Aqui, apurou-se para o ‘play in’ de First Strike, o primeiro grande torneio do videojogo lançado em junho que é organizado pela empresa que o criou, a Riot Games, e tenta conseguir fazer vida do jogo, depois de no CS, mesmo com bons resultados, não conseguia “tirar um ordenado mínimo” quando competia.

Hoje em dia, a UCAM é a 47.ª posicionada no ‘ranking’ europeu do jogo, e ‘Dixon’, formado em mecatrónica, elogia o facto de a equipa ter “tudo o que se deseja numa organização de esports”.

“Tem apoio, fãs, patrocinadores, pessoas dentro da organização que são cinco estrelas e ajudam em tudo”, comenta.

Habituado “a competir desde 2008”, esse “bichinho”, como lhe chama repetidamente, é o que o guia em qualquer videojogo e na própria visão que tem dos esports.

“Quando alguém joga um jogo, quer ser dos melhores, e esforça-se para tal. A maior parte do pessoal em Portugal vem jogar porque é fixe, e vão participando nuns torneios”, lamenta.

Elogiando os B7 Warriors, a única equipa portuguesa nos ‘play ins’, pela “mentalidade”, não deixa ainda assim de deixar críticas à falta de “mentalidade” e ambição em Portugal, onde apenas um punhado de equipas, garante, se aplicam.

Uma das críticas que deixa passa pelo torneio solidário Spike Nations, que Portugal venceu, no qual estavam ‘streamers’ e apenas um jogador profissional, Carlos ‘kompa’ Nunes, outro ‘graduado’ de CS:GO, com ‘Dixon’ a criticar a falta de convites a outros ‘pros’.

“O objetivo é promover o Valorant ao máximo. Tens este torneio, e foi importantíssimo ganharmos o dinheiro, estou mesmo contente por eles terem vencido. Mas mesmo que toda a gente recusasse o convite, pela proximidade ao First Strike, ficava bem terem em conta os jogadores profissionais”, atira.

A evoluir em Espanha, e mesmo garantindo que tem tido “oportunidades” para se mostrar, critica o facto de, em Portugal, se dar “sempre visibilidade aos mesmos”.

“Focam-se demasiado nos ‘streamers’ e não dão espaço aos jogadores profissionais. Não falo de mim, mas a malta dos B7 Warriors não tem tido essas oportunidades, por exemplo”, lamenta.

A falta de competitividade, afirma, agudiza a falta de espaço e financiamento para o jogo em Portugal, além de várias equipas se desintegrarem após participarem num ou outro evento.

Para o jogador, o First Strike, que termina em dezembro, vai mostrar “quais as equipas que treinam, que metem as horas [de trabalho] e que merecem estar nos 16 melhores”.

Focado apenas “em jogar profissionalmente”, depois de ter perdido o emprego no ginásio em que trabalhava por causa da pandemia de covid-19, Diogo Santos não descarta “fazer algo nos esports em Portugal”, noutras funções, ainda que só depois de terminar a experiência com Valorant.

Este videojogo teve um impacto grande aquando do lançamento, e ‘Dixon’ não tem dúvidas que “o confinamento veio ajudar, e bastante”, à sua divulgação, mesmo que algumas das maiores organizações estejam ainda “a ver o que o jogo pode dar para entrarem forte em 2021”.

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