Jessica Shuran Yu, patinadora de 19 anos, já retirada da competição, recorreu às redes sociais para falar sobre os maus tratos que sofreu durante os seus anos de treino na China. A atleta decidiu 'abrir o livro' depois de ver o documentário "Athlete A", que retrata os abusos sexuais sofridos por ginastas norte-americanas.

"Os abusos começaram quando tinha 11 anos.  O meu treinador batia-me com as guardas, que são fundas e de plástico e cobrem as lâminas. Quando se chateava comigo, quando achavam que cometia o mais pequeno erro, pediam-me para levantar a mão. Às vezes batiam-me nas pernas e nos braços sem aviso. Podia acontecer no meio de um treino, em frente a todos, ou depois, em zonas mais restritas onde gritavam comigo e me batiam ainda mais forte. Em dias especialmente maus, batiam-me cerca de 10 vezes seguidas até me deixarem a pele em carne viva", relatou na sua conta de Instagram.

"Quando tinha 14 anos e atravessava a puberdade, comecei a lutar com os meus saltos porque estava a ganhar peso. Batiam-me com a ponta do patim para me obrigarem a tentar de novo. Não me deixavam desistir nem chorar. Cheguei a um ponto em que desejava ser anorética porque isso significava que estava a esforçar-me o suficiente", confessou.

Depois de abandonar a competição, Jessica Shuran Yu dedicou-se ao treino de crianças e recentemente trabalhou num dos mais importantes centros de treino de Pequim, onde voltou a testemunhar a prática de abusos. "Vi uma jovem a ser agredida e arrastada pelo gelo e outra foi pressionada a competir apesar de ter os ligamentos lesionados. Teve de ser operada depois disso", revela.

A antiga patinadora espera que as suas palavras façam eco no Comité Olímpico Internacional, perante a necessidade de proteger jovens atletas, sobretudo em modalidades como a patinagem artística e a ginástica: "São desportos em que somos julgadas pela nossa aparência. Os fatos, a maquilhagem, a imagem."

"Houve uma altura na minha vida em que os abusos me fizeram odiar o desporto. Odiava ir para os treinos, desejei que houvesse acidentes de carro e chorei durante sessões de treino inteiras. Mas agora sei que o que eu odiava não era a patinagem artística mas sim a crueldade", disse.

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