Kazunori Takishima gastou 40 mil dólares (quase 34 mil euros) em bilhetes para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, mas as restritas regras japonesas contra a pandemia, que proibiram a presença de público, deixou-o a ver a cerimónia de abertura no exterior do Estádio Olímpico no seu telemóvel.

Enquanto o fogo de artifício rebentava por cima do estádio e a multidão no exterior aplaudia, Takishima estava a beira das lágrimas.

"Estou aliviado pela cerimónia de abertura se estar a realizar. Estou feliz", disse, com a voz embargada. "Existem tantas pessoas que amam os Jogos Olímpicos".

O empresário japonês esteve em todos os jogos de verão e de inverno dos últimos 15 anos, e esperava bater o recorde mundial de maior número de eventos olímpicos - com bilhete - vistos em toda a sua vida.

Com os Jogos finalmente no seu país natal, ele comprou 197 bilhetes para si e para outros.

Mas depois, os organizadores barraram o acesso aos adeptos em quase todos os eventos olímpicos devido aos riscos ligados ao coronavírus, e Takishima decidiu ver a Cerimónia de Abertura do lado de fora do estádio de 68.000 lugares.

Ele diz que ficou chocado quando ouviu que os Jogos se realizariam maioritariamente sem público e que mesmo agora "não consegue aceitar que é real".

"Tenho uma parte de mim que ainda pensa que talvez consiga entrar nos recintos de alguma forma", disse o homem de 45 anos.

Takishima vai reaver o seu dinheiro, mas sente que não há compensação possível por perder a oportunidade de apoiar os atletas japoneses a competirem em casa.

Ele tinha ainda planeado oferecer bilhetes aos empregados dos seus negócios que nunca tinham estado nuns Jogos Olímpicos.

"Os Jogos de Tóquio eram uma grande oportunidade para mostrar o quão bons são os Jogos Olímpicos", disse. "Posso dizer as palavras que quiser, mas a emoção nunca será totalmente compreendida. Têm de ir e ver com os próprios olhos".

O bilhete
O bilhete de Kazunori Takishima para a Cerimónia de Abertua, que viu da rua. créditos: Yasuyoshi CHIBA / AFP

"Tão, tão triste"

O interesse de Takishima no desporto chegou tarde, depois de ter assistido a uma competição de patinagem artística no Japão em 2005, e ter ficado maravilhado com o poder e a graciosidade dos patinadores.

Os seus primeiros Jogos Olímpicos foram os de Inverno de Turim, em 2006, onde estranhos nas bancadas lhe deram os parabéns depois do patinador japonês Shizuka Arakawa ter conquistado o ouro.

A partir daí ficou com o 'vício' dos Jogos, e viajou à volta do globo para assistir a todos os Jogos Olímpicos que se seguiram.

Planeou estar em 28 eventos este verão, para um total de 134 sessões - quebrando o recorde de 128 detido por outro super-fã.

A atração, em parte, é a inspiração que os adeptos Olímpicos trazem, disse.

"Encontro grandes obstáculos no meu trabalho. Nessas alturas, digo para mim mesmo 'Isto não é nada comparado com as lágrimas derramadas por aquele atleta. Queria que a minha família, amigos e o meu 'staff' tivessem essa experiência".

Takishima afirmou estar irritado com a organização e o governo por não encontrarem forma do público estar presente de forma segura, especialmente tendo em conta as vastas multidões que passam por Tóquio todos os dias.

"Fui sempre a pessoa que era bem recebido pelos habitantes das outras cidades. Agora, era a minha vez de os receber... Isto é tão, tão triste, não consigo lidar com isto".

Enquanto a cerimónia decorrida num estádio praticamente vazio à frente dele, Takishima via no seu smartphone.

"Estas a ver? Estes lugares todos vazios...", disse a um amigo.

"Estão tantas pessoas aqui. Queriam estar dentro do estádio, onde estariam mais seguras. Isto é muito triste".

Kazunori Takishima
Kazunori Takishima créditos: Yasuyoshi CHIBA / AFP

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