O defesa central do Sporting da Covilhã Joel Vital terminou a carreira no futebol, aos 33 anos, depois de nove anos e 193 jogos oficiais pelo emblema da II Liga.

“Foi uma decisão ponderada e tomada entre mim e o presidente, numa conversa franca entre os dois”, disse quarta-feira, em declarações à agência Lusa, o subcapitão serrano, no primeiro dia em 25 anos em que já não é jogador de futebol.

Joel Vital, natural do Porto, afirmou que, embora a decisão tenha vindo a ser pensada, “nunca se está preparado”, mas salientou ser “a altura ideal”.

“Vou ter uma filha no próximo mês, tenho um negócio que me rouba muito tempo, a alguma coisa não me ia estar a dedicar a 100% e preferi assim”, disse o defesa.

Para o afastamento dos relvados contribuiu a rotura do ligamento cruzado anterior no joelho direito, lesão que o impediu de competir na temporada 2018/19.

“A lesão que tive há três anos foi-me limitando. Eu nunca mais consegui ser o mesmo e pesou na decisão, porque sabia que não ia conseguir ser o que fui, o que queria e aquilo que eu sabia que podia atingir”, frisou Joel Vital.

Com a recente lesão no joelho esquerdo quase debelada, o central adiantou que deixar o futebol estava a ser equacionado nas últimas semanas, embora o contrato só tenha sido rescindido na terça-feira, por entender que não se encontrava na plenitude das capacidades face ao nível de exigência do Sporting da Covilhã.

“Sentia que não estava nas minhas capacidades totais para o fazer ao nível que o Sporting da Covilhã precisa e acho que, como atleta, não conseguia dar mais de mim. Estava a dar o meu máximo, mas sabia que o meu máximo, se calhar, não corresponde ao que é preciso neste momento”, explicou Joel Vital, em declarações à Lusa.

No clube onde salientou sempre se ter sentido “muito acarinhado pela massa adepta”, o defesa vincou ter vivido os “melhores nove anos” da sua vida, na cidade onde conheceu a mulher, onde abriu um restaurante, onde pretende continuar a viver e no emblema que lhe deu “a oportunidade de jogar numa liga profissional”.

“São nove anos, não são nove dias. Sinto-me leão da serra, é um clube que me marcou muito e vou ser sempre mais um a apoiar”, referiu Joel, o sexto jogador com mais partidas oficiais disputadas pelo Sporting da Covilhã, nos seus 98 anos de história.

Esta época o central alinhou em três jogos pela formação serrana, o último em 24 de outubro, na derrota frente ao Trofense (0-3). O agora empresário do ramo da restauração gostava de ter saído “num período em que a equipa estivesse melhor” desportivamente, mas acrescentou que, apesar da fase negativa, acredita que o grupo é “capaz de mudar o rumo dos acontecimentos”.

O presidente do Sporting da Covilhã, José Mendes, referiu que o jogador decidiu não jogar por mais nenhum clube e terminar a carreira nos serranos, “de livre vontade”.

“Ele casou, vai ser pai brevemente, vai fazer 34 anos, acha que é o momento de terminar e nós estamos com o Joel”, acentuou o dirigente serrano.

Segundo José Mendes, a decisão foi tomada “em sintonia entre ele e o clube, sai pela porta grande e fica com a porta aberta”, enfatizou o presidente, em declarações à agência Lusa.

O dirigente serrano gostava que Joel Vital continuasse ligado ao clube como treinador de uma equipa dos escalões de formação, caso tivesse habilitação legal, mas o jogador disse que também para treinar uma equipa de jovens “é preciso dedicação e tempo”, que não vai ter com as responsabilidades familiares e empresariais.

Na despedida, o até agora subcapitão serrano pede “aos sócios e à cidade união em torno do clube, para alcançar um patamar superior”.

Joel Vital assinou pelo Sporting da Covilhã na temporada 2013/14, proveniente do Cinfães. Formado no Bairro do Falcão e no Salgueiros, conta com passagens pelos juniores do Benfica, pelo Canedo, Madalena e Candal.

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