A organização dos festejos do Sporting, que se sagrou campeão nacional de futebol na terça-feira, continua a dar que falar. Antes do jogo com o Boavista, ganho pelos Leões por 1-0, milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio de Alvalade, quebrando todas as regras do estado de calamidade em que o país se encontra devido à pandemia de COVID-19, em que não são permitidas mais de dez pessoas na via pública, nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua.

No local, a animação era garantida por um DJ, além da colocação de um ecrã gigante onde os sportinguistas puderam acompanhar o jogo com o Boavista. Só que a maioria dos adeptos não cumpriu com as regras de saúde publica ao não respeitar o distanciamento social, nem o uso obrigatório de máscara nesta festa organizada pela claque Juventude Leonina.

Após várias horas de ambiente de festa com milhares de adeptos do Sporting, que esperavam à volta do recinto pela conquista do primeiro título de campeão nacional em 19 anos, as forças de segurança avançaram perto da zona das instalações das claques ‘leoninas’, de acordo com as imagens divulgadas pelas várias televisões.

Os agentes da PSP avançaram sobre os adeptos com uma carga mais ‘musculada’, criando-se um ambiente de confusão e tensão no exterior do estádio. Ato contínuo, foram arremessados objetos e artefactos pirotécnicos como petardos e tochas na direção dos elementos das forças de segurança que responderam com disparos de balas de borracha. Alguns adeptos ficaram feridos pelo arremesso de garrafas e pedras.

Especial Sporting Campeão 2020/21: saiba tudo sobre o 19.º título dos Leões

Em declarações à TVI, o Sporting demarcou-se dos problemas causados pelos adeptos antes e durante as celebrações do título. Os Leões garantiram que não autorizaram nem cabia a eles autorizar a presença de um DJ a colocação de uma ecrã gigante no exterior de Alvalade.

Ora a Juve Leo já veio a público demarcar-se dos incidentes e explicou, em comunicado, que teve o apoio das "diversas entidades responsáveis", que apenas pediram que " as regras sanitárias fossem cumpridas". A claque lembra ainda que apelou a que os adeptos se acalmassem e lembrou que milhares dos que ali estavam nem eram membros da Juve Leo.

Comunicado da Juve Leo

"Atendendo aos incidentes registados ontem ao intervalo do jogo e perante a tentativa de nos atribuírem a responsabilidade pelo que aconteceu, a Juventude Leonina vem, por este meio, demarcar-se completamente dos incidentes ocorridos.

A Juventude Leonina contactou as diversas entidades responsáveis, que aceitaram que o evento se realizasse, apenas pedindo que as regras sanitárias fossem cumpridas. Recomendações essas que fizemos questão de divulgar nas redes sociais e ao longo do decorrer do evento.

Mesmo não tendo nós nada a ver com o sucedido, pois estavam ali milhares e milhares de pessoas, e muitas não pertenciam à claque, a Juventude Leonina apelou várias vezes através da instalação sonora do camião palco, e em articulação com o comissário da PSP presente no local, para que os ânimos acalmassem, pois desde a primeira hora era do nosso interesse que tudo decorresse em clima de festa e de união.

Felizmente, depois do apelo que fizemos a partir do palco, a situação acalmou, e pudemos ver a segunda parte do jogo sem incidentes, em clima de festa e a festejar um título pelo qual esperámos 19 anos. Um título que já merecíamos e ontem Portugal e o Mundo, voltaram a sentir, a força e a vitalidade do Sporting Clube de Portugal.

Durante os festejos do Sporting como campeão nacional de futebol, a PSP deteve três pessoas, identificou outras 30 e apreendeu 63 engenhos pirotécnicos. Ainda segundo a PSP, registaram-se "alterações relevantes da ordem pública" em Lisboa.

Em declarações aos jornalistas esta manhã, em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, o Presidente da República considerou que "quem deve prevenir" aglomerados de pessoas como os dos festejos do Sporting, em Lisboa, "não conseguiu prevenir", esperando que tal "não tenha custos" para a saúde pública em breve.

"Quem deve prevenir não conseguiu prevenir e quem deveria prevenir são, naturalmente, as entidades responsáveis por isso", mas também "são todos os cidadãos", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

A festa do título do Sporting ficou marcada pela confusão entre adeptos e as forças de segurança. No Marquês de Pombal, onde a equipa foi recebida por milhares de adeptos madrugada adentro, a polícia teve de intervir, numa noite depois de sofrer com arremesso de garrafas de vidro e de tochas.

Antes de a equipa 'leonina' chegar à Praça do Marquês de Pombal, a Polícia de Segurança Pública (PSP) tentou conter as investidas dos adeptos do Sporting. Após várias tentativas de derrubarem as grades que circundavam o local e arremessos de objetos, o corpo de intervenção voltou a atuar, pela segunda vez, no mesmo local, enquanto alguns adeptos faziam deflagrar artefactos pirotécnicos.

Desde o apito final em Alvalade, uma vasta multidão acorreu ao Marquês de Pombal, onde a estátua esteve iluminada de verde, em clima de enorme festa e com engenhos pirotécnicos em largo número, como fogo de artifício, tochas ou petardos, mas sem cumprirem qualquer tipo de distanciamento social e muitos até sem utilizar máscara.

Esta quarta-feira o Governo pediu à Inspeção-geral da Administração Interna a abertura de um inquérito à atuação da PSP nos festejos do Sporting como campeão nacional de futebol.

"Relativamente aos eventos de ontem [terça-feira], o senhor ministro da Administração Interna já teve ocasião de fazer um despacho, primeiro solicitando à PSP informações sobre como tinha sido articulado todo o planeamento com o conjunto das entidades envolvidas, desde o Sporting Clube e Portugal à Câmara Municipal de Lisboa e à Direção-geral da Saúde, e solicitando à Inspeção-geral da Administração Interna um inquérito à atuação da Polícia de Segurança Pública naquele contexto de ontem", anunciou António Costa.

O primeiro-ministro falava na Assembleia da República, no debate sobre política geral, e fez este anúncio quando respondia ao líder parlamentar do CDS-PP, Telmo Correia. António Costa recusou "atirar pedras" ao clube, aos adeptos que festejaram nas ruas ou à polícia.

"Vou fazer aquilo que qualquer político responsável nestas circunstâncias deve fazer, que é aguardar a informação, o apuramento e o esclarecimento dos factos para retirar as responsabilidade devidas sobre essa matéria", defendeu.

Antes, o deputado do CDS-PP disse compreender "os festejos dos adeptos, a alegria dos adeptos", bem como "as dificuldades da polícia" porque "é sempre um momento difícil". No entanto, Temo Correia quis saber "porque é que houve tão pouca informação, tão pouco planeamento, porque é que não se soube antes, porque é que o plano não foi divulgado antecipadamente, porque é que as coisas não estavam organizadas e previstas".

"Ontem aparentemente nada estava previsto", atirou.

O Sporting sagrou-se na terça-feira campeão português de futebol pela 19.ª vez, 19 anos após a última conquista, ao vencer na receção ao Boavista, por 1-0, com um golo de Paulinho, aos 36 minutos, em jogo da 32.ª jornada da I Liga.

Especial Sporting Campeão 2020/21: saiba tudo sobre o 19.º título dos Leões

Seja o melhor treinador de bancada!

Subscreva a newsletter do SAPO Desporto.

Vão vir "charters" de notificações.

Ative as notificações do SAPO Desporto.

Não fique fora de jogo!

Siga o SAPO Desporto nas redes sociais. Use a #SAPOdesporto nas suas publicações.