Os ciclistas portugueses Rui Costa (UAE-Emirates) e José Gonçalves (Katusha Alpecin) não fazem um balanço positivo da participação na 106.ª Volta a França, após terem sido surpreendidos por uma forma física abaixo do esperado.

“Não foi um balanço tão positivo quanto esperávamos. Esperava ter feito coisas bem melhores, mas não aconteceu. O importante foi tentar, dei o meu melhor”, resumiu Rui Costa, em declarações à agência Lusa, em Paris, onde hoje terminou a 106.ª edição do Tour.

O corredor da UAE-Emirates assumiu que, “possivelmente, não estava na forma esperada”, em resultado de uma preparação deficitária, motivada por uma paragem provocada por um vírus.

“A preparação foi quase zero. Sempre acreditei que podia fazer melhor, mas a verdade é que aqui, no Tour, não se facilita. A velocidade e o ritmo são muito elevados. Fico com a sensação de que acabei por dar tudo, é certo que faltou-me um bocadinho, mas saio do Tour satisfeito, porque dei o meu melhor”, disse o melhor português na geral individual, na 53.ª posição, a 01:59.02 horas do vencedor, o colombiano Egan Bernal (INEOS).

O ciclista, de 32 anos, que tem no currículo três vitórias na ‘Grande Boucle’ (duas em 2013, o ano em que se sagrou campeão mundial de fundo, e uma em 2011), abordou ainda a polémica que o envolveu na nona etapa desta edição, quando o pelotão o perseguiu para o ‘impedir’ de chegar à fuga do dia.

“A fuga tem momentos para se formar. Depois há várias equipas que tentam controlar a corrida e tentam fechar logo a estrada de modo a que seja aquela fuga a sair. Aquele era um dia em que eu queria estar na fuga, era um dia em que o percurso era apropriado para mim. Nos primeiros 15 quilómetros, tentei entrar na fuga e acabei por ficar fechado. Só mesmo quando houve uma paragem de vários atletas para fazer as suas necessidades é que eu arranquei, mas já foi tarde. Estive muito perto, mas não foi possível”, explicou.

Concluída a nona participação na prova francesa, Rui Costa escusa-se a pensar na próxima edição, uma vez que ainda tem “muito para andar” esta temporada, mas não escondeu que gostava de chegar ao número redondo.

“Sem dúvida que o meu objetivo passa sempre por estar no Tour. Será sempre aquela corrida em que, se me dessem a escolher, gostaria de estar”, reconheceu.

Também José Gonçalves quer voltar à ‘Grande Boucle’ para fazer mais e melhor do que no ano da estreia, no qual foi 128.º classificado, a 03:47.15 horas do vencedor.

“Não faço um balanço muito positivo. O importante também era terminar. As coisas não correram como eu queria, paciência. Pensei que estivesse melhor e, no final de contas, não estava assim tão bem. E também [houve] uma ou outra situação dentro da equipa…”, confidenciou.

O ciclista da Katusha Alpecin, equipa que soube durante o Tour que não tem patrocinador para a próxima época, admitiu à Lusa não ter estado ao seu nível.

“Claro que com o passar dos dias paguei a fatura, andei nos grupos de trás, mas o importante é sobreviver e terminar o Tour. Saí desiludido da minha estreia, mas para o ano talvez haja mais. Vou continuar a trabalhar”, prometeu, dizendo-se despreocupado em relação ao seu futuro profissional, caso o fim da Katusha Alpecin se confirme.

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