A Federação Portuguesa de Ciclismo lamentou hoje o “caso de máxima gravidade” que levou à suspensão de sete corredores da equipa W52-FC Porto e notou que o processo ainda decorre na justiça civil para todos os envolvidos.

“A Federação Portuguesa de Ciclismo tomou hoje conhecimento da suspensão de sete corredores da equipa W52-FC Porto, uma decisão baseada na confissão dos ciclistas de que violaram as regras antidopagem”, pode ler-se no comunicado publicado no sítio oficial da federação.

O organismo prossegue sublinhando que “esta evolução do designado processo ‘Prova Limpa’ é um caso da máxima gravidade, porque demonstra desprezo pela verdade desportiva e pelos princípios éticos a que estão obrigados todos os agentes desportivos e pelos quais têm a obrigação de zelar todas as equipas e os seus responsáveis máximos”.

João Rodrigues, vencedor da Volta a Portugal de 2019 e da Volta ao Algarve de 2021, foi hoje suspenso por sete anos, enquanto outros seis ciclistas da W52-FC Porto receberam sanções de três anos da Autoridade Antidopagem de Portugal.

Segundo a lista de sanções disciplinares hoje atualizada pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), João Rodrigues vai cumprir um castigo de quatro anos imposto pela União Ciclista Internacional, por anomalias no passaporte biológico, e outros três anos por “posse de método proibido”, embora mantenha os triunfos naquelas corridas, assim como na Volta ao Alentejo de 2019.

Rui Vinhas e Ricardo Mestre, vencedores da Volta a Portugal em 2016 e 2011, respetivamente, são sancionados por três anos, por “posse de substância proibida e método proibido”, o mesmo motivo evocado pela ADoP para suspender por igual período Ricardo Vilela, Daniel Mestre, José Neves e Samuel Caldeira.

“Se em relação a estes sete atletas o caso está encerrado na justiça desportiva, porque as penas foram aplicadas com o acordo dos ciclistas, o processo ainda decorre na justiça desportiva para os restantes elementos suspensos preventivamente e na justiça civil para todos os agentes que foram constituídos arguidos nos últimos meses”, prossegue a nota da FPC.

Os processos dos restantes três ciclistas - Joni Brandão, José Gonçalves e Jorge Magalhães - e elementos do ‘staff’ da W52-FC Porto suspensos preventivamente pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) "ainda estão a decorrer", confirmou hoje à Lusa fonte ligada ao processo.

“A Federação Portuguesa de Ciclismo reitera a confiança nas instituições encarregadas de investigar e dar seguimento aos processos e não fará qualquer comentário futuro sobre o desenrolar do designado processo ‘Prova Limpa’. A justiça tem os seus tempos e deve ser prosseguida com a máxima serenidade sem interferências externas nem diligências mediáticas das partes envolvidas”, defende a federação, ao mesmo tempo que “reafirma a sua firmeza na luta contra a dopagem, pela verdade desportiva e pela ética”.

No final de abril, 10 ciclistas da W52-FC Porto foram constituídos arguidos e o diretor desportivo da equipa, Nuno Ribeiro, foi mesmo detido, assim como o seu adjunto, José Rodrigues, no decurso da operação ‘Prova Limpa’, a cargo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto.

Na operação policial, “foram apreendidas diversas substâncias e instrumentos clínicos, usados no treino dos atletas e com impacto no seu rendimento desportivo", detalhou então a Polícia Judiciária.

Em 15 de julho, oito ciclistas (Rodrigues, Brandão, Vinhas, Ricardo Mestre, Vilela, Gonçalves, Caldeira e Daniel Mestre) foram suspensos preventivamente pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), que, em finais de agosto, suspendeu também José Neves e Jorge Magalhães.

A União Ciclista Internacional (UCI) viria a retirar a licença desportiva à W52-FC Porto antes da Volta a Portugal.

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