Oferecer uma bola para ajudar o clube do coração a superar as dificuldades financeiras agudizadas pela pandemia de covid-19 traduz a campanha solidária da Hoopers, plataforma comunitária de basquetebol, em parceria com a consagrada marca internacional Wilson.

“Quem passou pela modalidade, teve em algum momento da vida um clube que lhe deu uma bola para as mãos. Isso fez-nos apaixonar pelo jogo e agora seria simbólico reverter este movimento num momento de dificuldade, devolvendo a bola à instituição que tanto nos apoiou e ajudando-a a enfrentar um custo fundamental para garantir que a prática não se extingue”, explicou à agência Lusa o fundador André Costa.

Inserida no espírito urbano de uma plataforma orientada para jogadores e fãs de basquetebol, assente nas “dimensões de campo, conteúdos e produtos”, a ação solidária nasceu “com naturalidade” na segunda-feira, tentando atenuar “uma situação muito complicada” partilhada por diversos emblemas portugueses com a pausa competitiva.

“Os clubes vivem, sobretudo, dos apoios de patrocinadores, federação, atletas e sócios. Perante todos os desenvolvimentos recentes, notámos dentro da nossa comunidade um conjunto de dificuldades sentidas por diversas entidades em relação à construção do futuro desportivo e à manutenção das suas equipas profissionais”, constatou.

O antigo base do Queluz aproveitou o “conhecimento da realidade dos clubes”, que assistiram ao cancelamento da época em 29 de abril, para promover com o sócio e ex-adversário Hugo Domic uma campanha caritativa, na qual os adeptos oferecem uma bola sem custo adicional ao clube do coração por cada caixa mistério da Hoopers adquirida.

“É um produto recheado de artigos exclusivos de basquetebol, incluindo uma bola da Wilson, que é nossa parceira e mostrou todo o interesse neste projeto”, elogiou, aludindo à famosa fornecedora de material desportivo, que vai patrocinar o esférico da Liga norte-americana masculina (NBA) e feminina (WNBA) a partir da próxima temporada.

A iniciativa é amparada por “figuras marcantes” do basquetebol luso, como o ex-internacional Carlos Andrade, campeão nacional por FC Porto e Benfica, ou Ticha Penicheiro, eternizada no ‘Hall of Fame’ da WNBA em 2019, após ter sido distinguida quatro vezes no jogo ‘All Star’ e conquistado um título pelas Sacramento Monarchs.

“O Carlos disse-nos que ainda hoje se comove a falar do histórico Maria Pia, na Graça, em Lisboa. Já a Ticha saiu para os Estados Unidos muito nova e ainda tem uma relação estreita com o Ginásio Figueirense, da Figueira da Foz. A ideia é que estas referências inspirem os seus seguidores e outras pessoas a seguir o nosso movimento”, notou.

Com um investimento nulo e um modelo de negócio assente na oferta, a corrente da Hoopers está a recolher “várias encomendas” e “ótima adesão” nas redes sociais, onde André Costa pretende ver as doações fotografadas pelos participantes, no intuito de “partilhar todas essas histórias e saber que clubes estão a ser ajudados”.

“Seja por esta via ou por outra, interessa que todos possam ajudar de alguma forma. No final do dia, e quando chegarmos a setembro, queremos sentir que as instituições de basquetebol ultrapassaram este período desafiante, estando em condições idênticas ou melhores àquelas que normalmente teriam para iniciar uma nova época”, afiançou.

Fundado em outubro de 2019 e incubado na Startup Lisboa, o projeto começou por quantificar os campos urbanos de basquetebol ao redor da área metropolitana da capital, depois da “dificuldade imediata” sentida por André Costa e Hugo Domic em localizar espaços idênticos em passagens anteriores por Brasil e França, respetivamente.

“Todos apontavam para os mesmos quatro ou cinco campos. Na verdade, existem mais de 20, pelo que há informação que vale a pena explorar e clarificar. Por acreditarmos numa ligação ínfima entre o basquetebol e a rua, estamos a trabalhar abordagens alternativas que encarem a comunidade como o agente construtor do conteúdo”, frisou.

No sítio oficial da ‘startup’ estão disponíveis mais de 20 recintos dispersos por Paris e nos concelhos de Almada, Cascais, Lisboa, Odivelas e Seixal, alguns dos quais com renovação artística estimulada pela Hoopers, enquanto a linha editorial de conteúdos pauta-se pelo “primeiro ‘podcast’ de língua portuguesa especializado em basquetebol”.

“Por sermos uma plataforma orientada para o atleta, lançámos a ideia de entrevistar as grandes referências da modalidade para poder captar histórias apaixonantes. Estamos a atingir um espaço muito interessante para os seguidores e temos vontade de fazer crescer uma comunidade sedenta de ser ativada”, avaliou o licenciado em Gestão.

De olhos postos na afirmação global deste “jogo de rua”, arrancando pelo “pequeno mercado” português antes de capitalizar a dimensão do basquetebol em Espanha, a Hoopers pretende complementar a carteira de produtos com uma segunda caixa de “discos pedidos da modalidade” e um “projeto de apoio à saúde mental dos atletas”.

“Portugal tem quase 40 mil federados de basquetebol. Se multiplicarmos por 10 ou 12, falamos em meio milhão de pessoas altamente comprometidas e alinhadas com o jogo e outras práticas desportivas. É difícil sermos o desporto-rei, mas isto não significa que não nos possamos afirmar como a segunda modalidade mais importante do país”, apontou.

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