Voltar a correr na pista de atletismo foi como reviver o primeiro dia de aulas, revelou à Lusa Cátia Azevedo, que antes do confinamento, devido à pandemia de COVID-19, estava “na melhor forma de sempre”.

“Parecia que já não sabia de nada do que eu tinha. Onde é que estão os sapatos? Parece que uma pessoa vai ao primeiro dia de aulas, então [estava] super entusiasmada”, confessou a atleta especialista em 400 metros e estudante de enfermagem, em entrevista à agência Lusa.

O regresso deu-se na pista de atletismo do Centro de Alto Rendimento (CAR), no Jamor, sempre acompanhada pelo seu treinador, pelo barulho dos corta-relva e, na fase final do treino, por Patrícia Mamona, também ela regressada, mas, ao contrário de si, já apurada para Tóquio2020.

Após quase dois meses sem treinar nas melhores condições, Cátia Azevedo não escondeu que “custou muito o último mês” de isolamento, em que teve de se “reinventar”.

“O último mês custou muito. Reinventar em termos de treino, as pessoas começaram a sair mais em termos de corrida… Do ponto de vista de ginásio ou de musculação, consegui fazer um ginásio em casa, na minha garagem, e deu-me mais condições a esse nível. Já estava a ser aborrecido”, admitiu à Lusa.

Recuperar a forma física, que considerava “ser a sua melhor de sempre”, é o objetivo imediato para atleta do Sporting, de 26 anos.

“Estamos numa fase em que estamos a treinar mais para reequilibrar os pontos físicos e técnicos, que não estavam tão bem, e para nos facilitar a vida quando isto voltar a valer a sério e irmos mais bem preparados para os Jogos Olímpicos”, observou.

A velocista do Sporting explicou, depois, que “embora tenha estado a fazer os seus treinos certinhos, o corpo fica diferente”, e que “é completamente diferente a adaptação, o estar na pista, a velocidade, a predisposição ou o calibre dado ao trabalho”.

A presença em Tóquio 2020 estava ao alcance da portuguesa natural de Oliveira de Azeméis, contudo, o adiamento dos Jogos Olímpicos, devido à pandemia do novo coronavírus, acabou por alterar o panorama.

“Sentia que ia estar presente nos Jogos, tinha tudo programado para isso. Estava na minha melhor forma de sempre, mas são muitos ‘ses’ e muitos ‘mas’. O que interessa agora é olhar para frente”, declarou.

A estudante de enfermagem, que considera “horrível” usar máscara de proteção por “impedir a circulação do ar”, defende que só uma vacina poderá devolver a liberdade às pessoas.

“Na minha opinião, acho que isto só devia avançar a partir do momento em que tenhamos uma vacina. É obvio que estão a diminuir os casos, mas se existem casos, existe receio. Sendo estudante da área da saúde, há muitas pessoas que têm cuidado, mas outras não. Se não estamos à vontade, não estamos livres. Sinto mais falta da liberdade, porque é o que nos faz estarmos à vontade para fazermos tudo a 100% e sem preocupações extras”, apontou.

A pandemia de COVID-19 acabou por ter consequências nas escolhas de Cátia Azevedo, que “optou por não fazer um estágio no hospital para se dedicar a 100% ao atletismo”, mas realça que “desde que a vontade e a ambição continuem, nada muda” para si.

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