O desporto português está a ser ignorado na resposta política à crise económica e social provocada pela pandemia de covid-19, defenderam hoje Comité Olímpico (COP), Comité Paralímpico (CPP) e Confederação do Desporto de Portugal (CDP).

Em audiência na comissão parlamentar de Educação, Ciência, Juventude e Desporto da Assembleia da República, os presidentes dos três organismos salientaram que houve uma ação inicial do governo que se revelou eficiente, mas consideraram que os problemas que afetam o setor desportivo exigem agora uma intervenção mais ‘musculada’ da parte do Estado.

“A natureza das políticas nesta segunda fase [da pandemia] é mais complexa, requer outros instrumentos e tem problemas, em parte, diferentes, que exigem uma resposta política de natureza distinta. Quando era necessário ‘subir esse degrau’, não foi possível. Há respostas políticas para outros setores, como o turismo ou a cultura, e para o desporto não há, com exceção da fase final da Liga dos Campeões de futebol”, afirmou à agência Lusa o líder do COP, José Manuel Constantino.

Destacando a situação “crítica e preocupante” do desporto português, o presidente do CPP, José Manuel Lourenço, vincou ainda que a presença conjunta das três instituições no parlamento é um sinal da “preocupação” que a atual conjuntura impôs no setor e que não deve ser esquecida pelo poder político.

“O tempo que vivemos não é fácil e muitas famílias terão dificuldades de subsistência, mas esta dificuldade existe também em muitas famílias do desporto. Não é uma posição de egoísmo ou corporativista. Estamos aqui porque sentimos ausência de resposta política no desporto”, afirmou.

Já o presidente da CDP, Carlos Paula Cardoso, assinalou perante os membros da comissão parlamentar que aquilo que as três organizações pretendem no curto prazo “é que haja abertura para a retoma desportiva e uma atenção às necessidades” do setor, garantindo não existir “má vontade ou antagonismo” da parte da tutela, ou seja, Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude e do Ministério da Educação.

Questionado sobre quais as prioridades em que poderia haver algum tipo de apoio extraordinário para o desporto, José Manuel Lourenço apontou à clareza da ação política em relação ao desenvolvimento do setor neste contexto de dificuldades.

“O prioritário é a definição de política pública para o desporto e a prioridade deve ser o desenvolvimento desportivo. É o momento oportuno e temos esperança de que o Desporto seja incluído no próximo Orçamento do Estado”, observou, deixando uma crítica à omissão do setor nas últimas medidas: “Porque é que não houve uma referência sequer ao Desporto no Programa de Estabilização Económica e Social? Isso tem de ter uma interpretação política.”

O presidente do CPP manifestou ainda a “esperança” de que os deputados “vão tentar fazer alguma coisa”, em referência a uma ideia exposta pela deputada Maria Begonha, na qual a representante do Partido Socialista argumentou que “nem o Programa de Estabilização Económico e Social, nem o Orçamento do Estado esgotam” as armas de atuação política.

Em jeito de balanço sobre a audiência na comissão parlamentar, José Manuel Constantino considerou que a “recetividade dos deputados foi positiva” e vincou também a sua expectativa de que as preocupações apresentadas “possam ter tradução política”.

Como consequência das preocupações das três entidades, está agendada para quarta-feira uma reunião conjunta com todas as federações desportivas, na qual será debatida a atual situação do desporto nacional e se espera que seja elaborado um documento com propostas e orientações para apresentar ao governo e à Assembleia da República.

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