Um Portugal-Espanha é sempre um duelo aguardado com expectativa, mesmo tratando-se de um amigável. É uma espécie de 'dérbi' ibérico, é um frente a frente entre duas das melhores seleções mundo e já ditou vários embates memoráveis, como por exemplo o que a este antecedeu e que tinha terminado com um empate 3-3 em (mais uma) noite memorável de Cristiano Ronaldo, no Mundial 2016. Se todos esses condimentos não chegassem, o encontro da noite de quarta-feira, jogado no Estádio José de Alvalade, tinha mais um: o regresso dos adeptos às bancadas em Portugal continental e aos jogos da Seleção nacional.

Dentro de campo, porém, as expectativas de quem esperava assistir a um grande espetáculo de futebol, à altura daquele tal 3-3, ou dos 4-0 com que Portugal tinha brincado a rival no anterior amigável entre as duas seleções (que ficou na memória pelo golo 'tirado' por Nani a Ronaldo), terão saído algo defraudadas. Mas tratando-se - para as duas seleções - de um jogo de preparação para dois embates bem mais importantes no espaço de poucos dias a contar para a Liga da Nações, talvez não se pudesse pedir muito mais. E até foram vários os lances de perigo junto das duas balizas. Mas um Rui Patrício inspirado na baliza de Portugal e uma trave da baliza espanhola com íman na segunda parte acabaram por ditar o nulo.

O jogo: Espanha entrou bem melhor, mas a vitória podia ter sorrido a Portugal no segundo tempo

Tratando-se de um jogo de preparação, Fernando Santos optou por fazer algumas experiências no 'onze' inicial. Renato Sanches, que não jogava pela seleção desde outubro de 2018, voltou a ser titular, o agora 'blaugrana' Francisco Trincão jogou na frente com Ronaldo e André Silva e Rúben Semedo teve direito à sua 1.ª internacionalização, ao lado de Pepe no eixo da defesa.

Talvez acusando a falta de rotina da sua dupla de centrais, Portugal mostrou muitas dificuldades para suster uma Espanha que entrou com tudo na partida. Nos primeiros 25 minutos o jogo 'só deu' Espanha e a 'Equipa das Quinas' raramente conseguiu sair do seu meio campo, quanto mais chegar perto da grande área adversária. Algo que não poderá suceder quando Portugal voltar a entrar em campo, já este domingo, então num jogo a valer, na visita à campeã do Mundo França, para a 3.ª jornada do Grupo 3 da Liga A das Ligas das Nações.

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Perante a incapacidade demonstrada pelos jogadores de campo da Seleção portuguesa em fugir à pressão espanhola e travar a criatividade e as trocas de bola rápidas dos adversários, ia valendo Rui Patrício, que com maior ou menor dificuldade e com maior ao menor espetacularidade - na retina fica uma mancha aos pés de Moreno logo a abrir - ia mantendo o jogo a zeros até que Portugal despertasse.

E Portugal despertou. De tal forma que a fechar a primeira parte já estava por cima no jogo, começando a criar oportunidades. Oportunidades que prosseguiram no arranque do segundo tempo. Mas então foi a vez da trave da baliza espanhola segurar o nulo. Primeiro a devolver um tiraço do pé esquerdo de Ronaldo, depois a devolver um remate de primeira de Renato Sanches, após fantástico passe de trivela de CR7.

Patrício ainda voltaria a brilhar a grande altura, para negar o golo a Dani Olmo, tal como Kepa, guarda-redes espanhol, brilharia para impedir que Trincão, servido por João Félix, tivesse uma estreia de sonho como titular de Portugal.

Zero a zero. Mais um empate, o terceiro consecutivo entre Portugal e Espanha. Foi mesmo esse o resultado, mas Fernando Santos pôde tirar ilações importantes para os importantes jogos que se seguem. Renato Sanches e Trincão provaram ser boas opções e as mexidas ao intervalo, com as entradas de William Carvalho, Rúben Dias e Bernardo Silva para os lugares de João Moutinho, Pepe e André Silva trouxeram, todas elas, algo de positivo ao jogo de Portugal. Prova de que são muitas as alternativas e as armas que a 'Equipa das Quinas' continua a ter.

O Momento: Ronaldo acerta com estrondo na trave (Minuto 53')

A segunda parte tinha começado há pouco tempo e era agora Portugal quem esstava por cima no jogo. Ronaldo começava a aparecer e, servido por William Carvalho, Cristiano Ronaldo ajeitou para o pé esquerdo e disparou um míssil. A bola bateu com estrondo na trave, deixando a baliza de Kepa a tremer, e desceu para cair sobre a linha de golo. Teria sido um golaço...

O Melhor: Rui Patrício brilhou e impediu que a noite fosse do irrequieto Dani Olmo

Portugal não entrou bem no jogo e demorou a encontrar-se na defesa. Mas teve sempre em Rui Patrício a segurança de que precisava para se vir a encontrar. Num estádio onde tantas vezes brilhou, o agora guarda-redes do Wolveramphton voltou a mostrar todas as suas qualidades, bem patentes, por exemplo, nas defesas que fez aos dois minutos, a sair aos pé de Moreno, e depois, já no segundo tempo, quando balanceado para a direita conseguiu defender com o pé esquerdo um remate de Dani Olmo.

O 'camisola 7' espanhol até fez por merecer esse golo. Sempre muito irrequieto, foi uma dor de cabeça para João Cancelo quando surgiu na esquerda e para Raphael Guerreiro quando surgiu na direita. Grande parte dos lances de perigo que a Espanha partiram dos seus pés.

O Pior: Rúben Semedo não teve a estreia que desejaria

Tal como Rui Patrício, também Rúben Semedo voltou a Alvalade, palco especial para aquela que foi a sua 1.ª internacionalização 'A'. Mas não foi uma estreia particularmente feliz. Muitos dos problemas defensivos que Portugal experimentou no início do jogo foram devido a falhas suas. Aos poucos, porém, foi melhorando, e na segunda parte, em que fez dupla com Rúben Dias, mostrou-se já mais seguro.

Quem saiu ao intervalo depois de uma primeira parte bastante apagada foi André Silva. O avançado do Eintracht Frankfurt esteve pouco em jogo enquanto esteve em campo, também muito por culpa da inoperância ofensiva demonstrada por Portugal na primeira meia hora de jogo.

Estatísticas e Curiosidades

- Pepe tornou-se no defesa mais internacional de sempre por Portugal, com 111 internacionalizações, superando. Fernando Couto

- Depois de 42 encontros seguidos a marcar, Espanha voltou a ficar 'em branco' num jogo.

- Portugal somou o 16.º jogo consecutivo sem perder em casa.

As reações

- Fernando Santos: "O resultado acaba por ser justo. Se calhar, devido às oportunidades que tivemos podíamos ter ganho"

- Trincão: "Ronaldo ou Messi? É impossível escolher. Tenho um orgulho enorme de poder jogar com os dois"

- Rúben Neves: "Seja contra quem for, entramos para ganhar"

- Luis Enrique: "Seria maravilhoso Portugal e Espanha realizarem um Mundial juntos"

- O que disse Sergio Ramos depois de reencontrar Ronaldo e Pepe

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