O presidente da Câmara de Santa Maria da Feira classificou hoje de "incrível e inacreditável" a dualidade de critério do Governo quanto ao cancelamento de provas de futebol, antecipando os prejuízos locais gerados pelo fim da II Liga.

Em causa está a reação do presidente dessa autarquia do distrito de Aveiro às medidas que, no âmbito da COVID-19, ditaram esta quinta-feira a proibição de se concluir o campeonato em que joga o Clube Desportivo Feirense, equipa profissional que na presente época vinha lutando pela subida à I Liga.

"É absolutamente incrível e inacreditável esta decisão, tomada de forma unilateral, sem consultar os clubes e sem ponderar prejuízos económicos e financeiros. Se a I Liga vai ser concluída com jogos em junho ou julho, então a II Liga também tem que ser concluída. Justiça é tratar todos por igual", defende Emídio Sousa.

Afirmando que o cancelamento do segundo principal campeonato de futebol do país é "uma decisão que prejudica gravemente o CD Feirense e o concelho de Santa Maria da Feira", o autarca social-democrata contesta a ingerência do Governo na decisão.

"O Governo não tem que se meter na vida dos clubes profissionais e decidir que há condições para continuar a I Liga, mas não há condições para a II Liga. O que o Governo devia ter anunciado eram as condições necessárias para que os jogos se pudessem realizar", reclama.

Emídio Sousa apela, por isso, a "que haja coragem para dar um passo atrás e proporcionar as mesmas oportunidades a todos os clubes" do país.

O CF Feirense também já repudiou publicamente a decisão do Governo, declarando que, embora favorável à implementação de restrições em defesa da saúde pública, está contra a conclusão da II Liga "com as classificações atuais", o que lhe inibe a possibilidade de ainda disputar a subida, enquanto a I Divisão é autorizada a retomar os jogos e a manter a luta pelos lugares de topo.

Argumentando que a situação resulta num "claro prejuízo" para o clube, a direção da equipa alvinegra avisa: "Os feirenses não se vão calar e não aceitam uma decisão que viola os princípios democráticos implantados há 46 anos [e se apresenta agora] em prejuízo do futebol, da verdade desportiva e de muitos clubes, para benefício de apenas alguns".

O novo coronavírus responsável pela pandemia de COVID-19 foi detetado na China em dezembro de 2019 e já infetou mais de 3,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais mais de 233.000 morreram. Ainda nesse universo de doentes, quase 987.000 foram já dados como recuperados.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados se registaram a 02 de março, o último balanço da Direção-Geral da Saúde (DGS) indicava 1.007 óbitos entre 25.351 infeções confirmadas. Desses doentes, 892 estão internados em hospitais, 1.647 já recuperaram e os restantes convalescem em casa ou noutras instituições.

Na sua fase inicial, a pandemia levou a que alguns eventos desportivos fossem disputados sem público, mas mais tarde esses passaram a ser cancelados, suspensos (como aconteceu com os campeonatos nacionais e internacionais de todas as modalidades) ou adiados (como é o caso dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, do Euro2020 e da Copa América).

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