Sérgio Conceição fez a antevisão ao clássico de amanhã, frente ao Sporting, a contar para a 21.ª jornada da I Liga, esta manhã.

Sobre a importância do jogo deste sábado, o técnico do FC Porto admite que é um jogo importante, pela possibilidade de evitar que o Sporting, adversário na luta pelo título, possa arrecadar para três pontos.

"Claramente que é um jogo onde podemos conquistar três pontos e evitar que o adversário direto a conquista do mesmo objetivo os ganhe. Tem essa importância. Todos os jogos à medida que caminhamos para o final, ganham o seu peso e a sua importância, temos plena consciência disso", afirmou.

Questionado sobre o porquê de ainda ninguém ter conseguido parar o Sporting na I Liga, apesar da simplicidade do jogo leonino, Sérgio Conceição explicou que é tudo uma questão de perspetiva.

"Depende da forma como cada um vê o futebol. Todos nós somos treinadores, as pessoas, comentadores, jornalistas, tem a sua forma de ver o futebol. Eu já disse muitas vezes que o futebol é simples: é não sofrer e nisso o Sporting tem sido muito eficaz; e é marcar. Se não se conseguir sofrer e se conseguir marcar atinge-se uma perfeição, uma consistência que é o que os treinadores querem. Somos o melhor ataque, mas temos sofrido mais que o habitual", começou por explicar.

"O Sporting é uma equipa bastante pragmática, que sabe aquilo que quer dentro da simplicidade do seu jogo, mas que é um jogo difícil para os adversários. Tudo o que seja largura e profundidade na dinâmica ofensiva, cria dificuldade ao adversário se não for competente a defender. (....) Defende sempre com muita gente, porque os jogadores que compõem o plantel do Sporting estão conscientes que para se ganhar jogos tem de se defender", acrescentou.

O técnico admitiu que é fácil de se perceber o jogo do Sporting na teoria, mas que na prática a dificuldade aumenta.

"Às vezes a simplicidade é o mais difícil de executar no futebol e o mais difícil de se defender. É verdade que se olha para a equipa do Sporting e é fácil de desmontar, no sentido de perceber como jogam, mas depois se não formos competentes é difícil de contrariar", disse.

Admitindo que o jogo frente aos leões é "um jogo extremamente importante", Conceição realça que não vai usar o exemplo da época passada, em que recuperou da desvantagem pontual para o Benfica depois do clássico, para motivar os seus jogadores.

" As épocas são diferentes, os rivais são diferentes. Acho que nos temos de focar naquilo que são as nossas tarefas, naquilo que cada um dos jogadores tem de fazer, naquilo que é a estratégia definida e planeada para o jogo e eu, como treinador, focar-me na escolha dos jogadores para realizarem essa estratégia", notou.

A pressão, essa, Sérgio Conceição admite que existe, mas que é algo normal num clube como o FC Porto, habituado às decisões.

"Nós estamos habituados a jogar na Liga dos Campeões, contra equipas poderosíssimas, jogos que definem se passamos ou não a finais... A pressão é a pressão que quando se representa um clube como o FC Porto está presente todos os dias. Mas é uma pressão boa, de que gostamos. (...). A nossa preparação, a nossa pressão é sempre a mesma. Obviamente que há sempre este mediatismo, é um clássico, mas isso não retira aquilo que é o foco no jogo e na preparação", afirmou.

Sérgio Conceição abordou ainda a questão do tempo útil de jogo na I Liga, recorrendo aos dados registados pelos seus jogadores na partida frente ao Marítimo.

"Nós temos os dados de cada um dos jogadores e da distância percorrida pelos jogadores. A partir do golo do Marítimo, a distância percorrida desceu de uma forma brutal, brutal. E isso está ligado ao tempo de jogo, não quer dizer que o Marítimo fez anti-jogo, mas não é normal", começou poro dizer antes de recordar as declarações de André Horta, depois do jogo com a Roma.

"O André Horta ontem, no final do jogo com a Roma, disse que enquanto não mudarmos a mentalidade aqui em Portugal, de por tudo se parar o jogo, por tudo se perder tempo, fica difícil. Já ando a dizer isto há muito tempo. É  um dos temas que debati nas reuniões da UEFA, o tempo útil de jogo. Portugal está na cauda da Europa com menos tempo útil de jogo. Na Europa encontramos adversários acima da média, com uma intensidade de jogo enorme, o campeonato italiano é diferente dos jogos semanais que temos aqui, quer queirámos, quer não, é cultural. Temos de perceber que temos de melhorar", acrescentou.

Ainda dentro do tema do tempo de jogo, Conceição respondeu às críticas do Sporting, que afirmou que o FC Porto "cavava" penáltis.

"Na meia-final com o Sporting [Taça da Liga], quatro faltas ofensivas, em livres laterais/frontais, porque gritaram na área ou caíram e o árbitro apontou falta ofensiva e em dois deles nem estava a olhar para a zona onde caíram os jogadores o Sporting. Já que o Sporting está preocupado, nós também estamos preocupados com os gritos. Não é isto ou aquilo: há um conjunto de situações em que o futebol português pode e deve de debater com toda a gente (treinadores, jogadores, dirigentes) para que se melhore, para se sejamos mais competitivos na Europa, não é só olhar para a polémica momentânea para que se fale logo à noite. Isso não vale de nada, é 'encher chouriços'", afirmou.

Questionado sobre se Francisco Conceição está pronto para realizar 90 minutos, o técnico afirmou que está e que será titular quando assim o entender, aproveitando para partilhar a forma como deixa a vida pessoal fora do Olival.

"Sabem que o meu filho vive na mesma casa que eu e ele vem para o treino, não tem carta, vem para o treino por ele, de táxi, com os irmãos. Trouxe-o uma vez, mas deixei-o lá em cima, ficou com uma azia dos diabos. Porque eu entro aqui no Olival, e entro como treinador do FC Porto, não quero entrar como pai do Francisco, ou do Rodrigo, ou do Sérgio, ou do José, ou do... quem é o outro? Do Moisés. [Risos] São muitos", disse, bem humorado.

Por fim, o técnico do FC Porto abordou a diferença no número de jogos realizados por dragões e leões, considerando que é algo importante, mas que não justifica tudo.

"É um facto importante, não podemos fugir ao que é a sobrecarga. Já disse que temos uma densidade competitiva acima da média, fizemos cinco jogos em 15 dias. Acho que num ou noutro jogo pode explicar o que pode ser uma falta de frescura. (...) Eu gostaria que todas as equipas portuguesas permanecessem nas competições europeias, não só porque sou português, mas, porque tinham mais jogos em cima... tenho de puxar a brasa à minha sardinha, é uma verdade", começou por explicar.

"O Sporting saiu cedo da Liga Europa, saiu da Taça de Portugal, tem mais tempo para preparar, mas isso por si só não justifica a competência e o bom trabalho que o Rúben, os seus jogadores e a estrutura do Sporting tem feito. Acho que há ali trabalho e competência, não é só isso que justifica os 10 pontos de distância", concluiu.

O FC Porto recebe o Sporting amanhã, a partir das 20h30, no Estádio do Dragão.

*Artigo atualizado às 16h12: hora do jogo corrigida.

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