A edição 2020/2021 da Primeira Liga de Futebol arranca ja está sexta-feira, 18 de agosto, quase dois meses após a conclusão da última época, num período de paragem menor do que o habitual, e também mais tarde, devido à pandemia da COVID-19.

A pandemia está a afetar fortemente o desporto-rei e tem sido uma das principais preocupações dos clubes mas também da Direção-geral da Saúde, algo que tem gerado discordância entre as partes, principalmente no que ao público nas bancadas diz respeito.

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Os clubes da Primeira Liga queriam o regresso faseado do público aos estádios mas autoridades de saúde tem uma ideia diferente. A DGS quer ver como se processa o regresso às aulas, algo que vai levar a um aumento nas movimentações e nos aglomerados, para tentar perceber quando se pode testar outras medidas, como a presença de público nas bancadas dos estádios nacionais e noutros recintos desportivos.

"Manda a prudência que não ensaiemos outras medidas que podem levar a mais contactos. Temos de ser prudentes e faseados, ir abrindo outras atividades à medida que estabilizarmos algumas. Temos de ponderar o público nos estádios e a abertura das discotecas neste quadro mais vasto, e não será certamente nos próximos tempos. Temos de ver como vai correr o regresso às aulas e o seu impacto nos números", afirmou Graças Freitas, diretora-geral da Saúde, no dia 09 de setembro.

Essa posição foi reforçada pelo Primeiro-ministro António Costa, no dia seguinte, quando anunciou um conjunto de medidas a ser aplicadas a partir de 15 de setembro, dia em que Portugal Continental entrou em situação de contingência para fazer face à pandemia de COVID-19.

Para amenizar o ambiente que se vive quanto à diferenciação entre a possibilidade de público em espetáculos culturais e jogos de futebol, o responsável pelo governo salientou que "todos os que já foram a recintos desportivos sabem que o comportamento num cinema ou num teatro é muito diferente de assistir a um evento desportivo”, explicou.

"Isso impõe restrições de público nos estádios de futebol e outros recintos desportivos", sublinhou António Costa.

A posição do Governo não colhe aprovação por parte dos clubes. Carlos Pereira, presidente do Marítimo, disse que o "futebol está a ser tratado de forma diferente”.

"Se é possível fazer um plano para uma tourada, um plano para um espetáculo musical, fazer planos para tudo e mais alguma coisa, é também possível, em algum caso que não esteja totalmente preparado, se preparar para fazer um espetáculo de futebol [...] É inadmissível que este cenário se continue a colocar, quando os clubes já se disponibilizaram para dar todas as garantias de segurança. Outros países já o fizeram e Portugal, com os números baixos que tem, podia dar o exemplo ao Mundo", defendeu.

Para o FC Porto, "os clubes portugueses [foram] deixados à sua sorte", lembrando não só a importância social mas também económica do desporto.

"No dia em que foram anunciadas mais medidas restritivas de combate à pandemia, o primeiro ministro António Costa informou que se manterá a proibição de acesso de espectadores aos espetáculos desportivos, o que se lamenta, porque obrigará os adeptos do FC Porto a apoiar à distância a nossa equipa. O desporto, e o futebol em particular, tem uma dimensão social e económica que não pode continuar a ser menosprezada", lamentou o FC Porto, numa das suas newsletters.

Os 'dragões' não ficaram por aqui e, na pessoa do seu presidente, Pinto da Costa atacaram o Primeiro-ministro António Costa, frisando que este "arrisca-se a ficar na história como o homem que asfixiou os clubes de futebol e matou as modalidades", por não permitir o regresso dos adeptos.

"Estamos na linha da frente entre os países com maior carga fiscal da Europa e mesmo sabendo que não temos receitas, por não ser permitido ter público, o Governo não baixa, nem suspende parcialmente os altos impostos que caem sobre os clubes", disse Pinto da Costa ao jornal 'O Jogo'.

Pedro Proença, presidente da Liga de Clubes, fala em "incoerência" por parte do Governo, que permitiu público em outras atividades culturais.

"O futebol teve a capacidade de ser a primeira atividade, em março, a decidir que não havia condições para manter as competições em andamento. Assumimos essa responsabilidade. Sabemos que há valores que não se negoceiam, como a saúde pública, mas tendo o futebol tido uma atitude responsável na retoma, ninguém consegue perceber que não exista coerência com o futebol. Trata-se de uma atividade económica onde a presença nas bancadas do 12.º jogador é fundamental", lembrou Pedro Proença, em declarações à Sport TV, antes do início da II Liga, entre o Arouca e o Estoril.

Estas opiniões das várias personalidades ligadas ao futebol mereceu novo reparo do Governo. O Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, avisou os agentes de desporto para falarem apenas de assuntos do seu domínio.

"O Governo não avalia foras-de-jogo. O futebol não deverá querer avaliar questões de saúde pública", disse.

O governante considera que existe um protocolo e normas que devem ser respeitadas e acredita que os agentes do futebol "não vão querer estragar a excelente que imagem que deixaram no retorno da atividade desportiva e com a retoma da Liga portuguesa".

O último encontro realizado com público a contar para a I Liga foi o Paços de Ferreira 1-2 Vitória de Guimarães, na Mata Real, a 8 de março, a contar para a 24.ª jornada. No dia seguinte jogou-se o derradeiro jogo com público em Portugal até ao momento, com o Leixões 1-1 Farense a contar com 4324 espetadores.

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