Após perder um título que parecia estas nas suas mãos na época passada (os 'encarnados' chegaram a ter sete pontos de vantagem para o FC Porto que acabou campeão nacional), o Benfica optou por mudar a sua política e filosofia, com o objetivo de voltar a dominar em Portugal mas também mostrar argumentos na Europa.

Saiba mais sobre o arranque da I Liga 2020/21

Os dois campeonatos perdidos para um FC Porto em dificuldades financeiras, intervencionado pela UEFA, não caíram bem no reino da Luz, pelo que era preciso fazer uma revolução na estratégia. Os sucessivos fracassos na Europa, principalmente na Liga dos Campeões, onde o Benfica quer marcar sempre presença e deixar a sua marca, também levaram a mudanças. Era preciso injectar qualidade no plantel e, para isso, seria preciso gastar.

Regresso de Jesus e 82 ME investidos em reforços de peso

A SAD liderada por Luís Filipe Vieira foi até ao Brasil buscar Jorge Jesus, técnico que ganhou muitos títulos aquando da sua primeira passagem pelo clube, mas que acabou por sair pela 'porta pequena' quando decidiu assinar pelo rival Sporting e reacender a 'guerra' entre os rivais da Segunda Circular.

A chegada de Jorge Jesus rompe com os últimos anos do Benfica, precisamente desde a saída do técnico para o Sporting em 2015/2016. Com Rui Vitória, o Benfica apostou e muito na 'prata' da casa, lançando jogadores como Nélson Semedo, Renato Sanches, Jota, Rúben Dias, João Félix, Ferro, Nuno Tavares, Florentino, Gedson Fernandes, todos formados no Seixal. Alguns deles brilharam e foram transferidos para outros emblemas estrangeiros.

Darwin Nuñez é o jogador mais caro de sempre de Portugal
Darwin Nuñez é o jogador mais caro de sempre de Portugal créditos: RODRIGO ANTUNES/LUSA

Depois de anos a apostar em jovens saídos da Academia no Seixal, o Benfica inverteu a política e apostou em jogadores já formados, o que levou a SAD a 'abrir os cordões à bolsa'.

Em janeiro de 2020 já tinha chegado Julian Weigl, internacional alemão que custou 20 milhões de euros. Na mesma altura o Benfica contratou o extremo Pedrinho ao Corinthians, pagando 18 milhões de euros pelo brasileiro que só chegaria este verão.

Verão esse que foi foi marcado pela 'novela' Cavani. A SAD 'encarnada' estava muito determinado em contratar o internacional uruguaio, ex-PSG e oferecia-lhe um contrato milionário que o transformaria no mais bem pago de sempre do futebol português, mas as partes não chegaram a acordo.

Perdido Cavani, o Benfica virou-se para outra estrela uruguaia em ascensão: depois de várias semanas de negociações com o Almeria, da Segunda Liga Espanhola, os 'encarnados' pagaram 24 milhões de euros ao emblema espanhol pelo passe de Darwin Nuñes, avançado de 21 anos. Este é o maior investimento alguma vez feito por um clube português num jogador.

Além disso, os 'encarnados' contrataram o central internacional belga Jan Vertonghen, de 33 anos, ele que chegou a custo zero após terminar contrato com o Tottenham.

Do Brasil chegou o extremo internacional brasileiro Everton, ex-Grêmio, por quem o Benfica pagou 20 milhões de euros, cinco milhões menos em relação ao valor gasto para contratar o avançado internacional alemão Luca Waldschmidt, de 24 anos, ex-Friburgo.

Os 'encarnados' gastaram ainda três milhões de euros no passe do lateral direito Gilberto, ex-Fluminense. À Luz chegou ainda o guarda-redes Helton Leite, ex-Boavista, Diogo Gonçalves, que regressou após empréstimo ao Famalicão.

Saídas que deram 'prejuízo' e excedentários por colocar

Além das entradas, há que contar com várias saídas. O Benfica rescindiu contrato com Andrija Zivkovic, no ano em que o sérvio de 24 anos iria ganhar cinco milhões de euros anuais na Luz. A SAD 'encarnada' ainda teve de lhe pagar 1,8 milhões de euros para que rescindisse. Assinou pelo PAOK e, menos de um mês depois, estava a marcar ao Benfica e a eliminar o clube da Liga dos Campeões.

Jesus dispensou Zivkovic do Benfica. Zivkovic dispensou o Benfica da Champions
créditos: PAOK

Entre as saídas já confirmadas, destaque para o guarda-redes russo Zlobin, vendido ao Famalicão por um milhão de euros. Jhónder Cádiz foi novamente emprestado, agora ao Nashville dos EUA, por 500 mil euros. Yohan González seguiu o mesmo caminho e foi cedido ao LA Galaxy por 420 mil euros. O guarda-redes Bruno Varela rescindiu e assinou pelo Vitória de Guimarães.

Até ao final do mercado, 06 de outubro, muitos nomes ainda podem deixar a Luz. Dyego Sousa, sem espaço com Jesus, deverá voltar à China para o Shenzhen FC. Filip Krovinovic também não conta e o clube espera fazer um bom encaixe financeiro, depois da boa época do jogador no West Bromwich Albion, de Inglaterra. Fejsa regressou do empréstimo ao Alavés mas deverá rescindir ou então ser vendido. Alfa Semedo, que também esteve emprestado, será para ser cedido de novo, tal como o central Lema e o lateral Pedro Pereira.

Mas há outros casos por resolver, como o do argentino Facundo Ferreyra, que aufere um alto salário na Luz e que esteve emprestado ao Espanyol.

Outros jogadores poderão deixar a Luz, como são os casos de Vinícius, atleta com muito mercado, e ainda Seferovic, o mal amado dos adeptos. Samaris perdeu espaço nos últimos anos e não é certo que fique no plantel. Nuno Tavares, Tomás Tavares e David Tavares também poderão ser emprestados, tal como Jota.

Até ao final do ano, o Benfica poderá ir ao mercado por um lateral direito que dê garantias e que possa ser uma alternativa a André Almeida ou melhor que o português, de forma que o clube consiga um upgrade numa área onde tem sentido dificuldades. A imprensa também adianta que Jorge Jesus quer mais um médio e um avançado.

Pré-época: oito jogos, oito vitórias

O Benfica foi o primeiro dos ' três grandes' a voltar aos trabalhos. Na pré-época, a formação encarnada realizou oito jogos-treino, tendo vencido todos. Deu 4-0 e depois 3-0 ao Benfica B, 4-0 ao Belenenses SAD, 4-1 ao Estoril-Praia, 5-1 ao Farense, 2-1 ao Bournemouth de Inglaterra, 2-1 ao SC Braga, 2-0 ao Rennes de França.

Equipa-tipo:

O onze ideal do Benfica não deverá andar muito distante daquele apresentado no primeiro jogo oficial, perdido para o PAOK, e que ditou o afastamento da equipa da Liga dos Campeões.

Na baliza Odysseas parece estar de pedra e cal. Na direita, para já André Almeida está em vantagem e na esquerda da defesa Grimaldo é o titular. Rúben Dias e Vertonghen formarão a dupla de centrais, com Weigl à frente dos dois, ao lado de Taarabt. Pizzi deverá ser o médio direito, Pedrinho ou Rafa os extremos esquerdos. Everton Cebolinha jogará na frente na companhia de Darwin Nuñez.

Jorge Jesus deverá privilegiar o 4-4-2, que pode desdobrar-se em 4-2-3-1, com Everton Cebolinha ou Pedrinho ou mesmo Rafa nas costas do avançado.

Após o afastamento prematuro na Liga dos Campeões e os milhões perdidos (no mínimo, 37 milhões de euros), o Benfica vai agora apostar forte na Liga Europa, onde estará na fase de grupos. Com o plantel à disposição do treinador, o Benfica tem argumentos mais que suficientes para vencer tudo em Portugal.

Jorge Jesus prometeu um Benfica a arrasar esta época e é isso que os adeptos esperam, depois de dois títulos de campeão perdidos para o FC Porto nos últimos três anos.

Saiba mais sobre o arranque da I Liga 2020/21

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Desporto. Diariamente. No seu email.

Notificações

SAPO Desporto sempre consigo. Vão vir "charters" de notificações.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.