Centenas de argentinos permaneceram nos arredores do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, onde a Argentina derrotou a Bósnia no Mundial2014 de futebol, na esperança de conseguir um dos bilhetes revendidos no mercado negro por valores até 2.000 dólares.

"Viajei como um louco, sozinho. Foram mais de 4.000 quilómetros na estrada, numa viagem de quatro dias, na esperança de conseguir uma entrada para o jogo de hoje", contou à Lusa o argentino Carlos Aparicio, de 58 anos, que em troca da "permissão" para fazer a viagem sozinho, teve de pagar à mulher e à filha uma viagem a Cuba.

"Não me saiu barato estar aqui. Queria fazer essa viagem de aventura, mas 1.000 dólares é muito dinheiro para um argentino, isso não vou pagar", lamentou Aparicio, ao lado de um grupo de três jovens compatriotas que padeciam do mesmo "mal".

Até os primeiros minutos do início do jogo, a cena repetia-se a cada metro, o rosto de deceção sobre uma camisola listada de azul e branco, entregava a mesma história - um grupo de amigos aventureiros que enfrentou mais de dois dias na “carretera” para ver o ídolo Messi jogar, mas não conseguiram ingressos.

"Tentámos comprar pelo site, oficialmente, mas não formos sorteados. Muita gente na Argentina não conseguiu. A FIFA disponibilizou pouquíssimos ingressos para a Argentina, não entendo porque venderam mais a países como EUA, Canadá e Austrália e nos impediram de ver", reclamava inconformado o músico argentino Mariano Javier, de 43 anos.

Próximo do portão de entrada, dois argentinos, que viajaram à boleia de um camião, contentavam-se em vivenciar o Mundial do lado de fora do estádio, oferecendo maquilhagem aos adeptos.

"Levámos seis dias de viagem, porque quando o condutor parava para carregar o camião, nós esperávamos. Trabalhamos com maquilhagem para teatro e circo e é a primeira vez que estamos a fazer isto num Mundial, estamos a realizar um sonho", contou Constanza Angeliogli.

A maior preocupação dos grandes rivais do Brasil era a certeza de que os brasileiros que conseguiram entrar apoiariam a Bósnia, o que de facto ocorreu.

"Não é justo que tenham vendido aos brasileiros, que vão torcer contra a Argentina, e até a japoneses e australianos, e os argentinos não possam entrar", queixava-se Ezequiel Ruiz, de 27 anos.

Do lado de fora do estádio, a polícia entrou em confronto com um pequeno grupo de manifestantes que atirou pedras e um “cocktail Molotov” contra a barreira de segurança, enquanto os polícias atiraram bombas de gás para dispersá-los.

Embora o confronto não tenha ocorrido próximo ao estádio, o cheiro do gás lançado chegou a ser sentido pelos arredores do Maracanã, onde algumas poucas pessoas ainda terminavam de entrar para assistir ao jogo.

Alheio a isto, Lionel Messi conduzia a Argentina ao triunfo por 2-1 sobre a Bósnia-Herzegovina.

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