Os jogadores da Liga norte-americana de futebol (MLS) estão precavidos para eventuais reduções salariais nos próximos meses, devido à pausa competitiva imposta pela pandemia da COVID-19.

“Ainda ninguém falou nada disso, mas a possibilidade é um pouco grande. Os jogadores estão preparados e já se mentalizaram para o que vier a acontecer nos próximos meses”, admitiu à agência Lusa o avançado português Pedro Santos, do Columbus Crew.

A ausência de jogos e consequente quebra de receitas leva a que várias federações, ligas e clubes equacionem quebras nos ordenados de jogadores, treinadores e funcionários, um cenário “compreensível” para o dianteiro, de 31 anos, pois “não há retorno” com o futebol parado por tempo indeterminado devido ao novo coronavírus.

“Aqui não sei se será o mais justo, porque o campeonato vai acabar por retomar e as receitas vão entrar. Os jogadores também têm a palavra e veremos o que querem decidir. Em Portugal e na Europa é mais complicado, porque os clubes não têm receitas, nem dinheiro das televisões, muito menos sabem se a época vai acabar”, comparou.

A paragem afeta as comemorações das bodas de prata da MLS, que cumpriu as duas jornadas inaugurais entre 29 de fevereiro e 09 de março e está suspensa até 10 de maio, numa temporada marcada por um novo acordo salarial com melhores condições.

“Usam muito o termo ‘free agent’ [atleta disponível para assinar por qualquer clube] e um jogador com mais de 24 anos e cinco épocas de Liga pode agora renegociar o contrato por valores mais altos. Mudou isso, os bónus por equipa e o dinheiro que nos dão pelas viagens. Foi bom para os jogadores, sobretudo para os mais jovens”, analisou.

Mantendo o modelo sem descidas nem promoções, a MLS partiu para 2020 com 26 franquias, incluindo os estreantes Inter Miami e Nashville, e um calendário inédito, pois cada clube evita defrontar três dos 13 adversários da conferência oposta na fase regular.

“Por exemplo, nós não vamos jogar com o Galaxy e o Los Angeles esta época e no ano passado defrontámos ambos em nossa casa. A outra alteração apareceu em 2019, quando o ‘play-off’ passou a concentrar 14 equipas e determinou eliminatórias a um só jogo, com a equipa mais bem classificada a jogar em casa”, explicou Pedro Santos.

Até 2022 haverá mais quatro novidades, começando por Austin e Charlotte dentro de um ano, antes de St. Louis e Sacramento completarem a fasquia dos 30 participantes, tendência favorável à “competitividade e longevidade” de um evento pródigo em desvendar “qualidade” aos principais palcos do futebol mundial.

“Desde que estou cá têm saído vários jogadores para grandes clubes europeus e isso prova o valor do campeonato e das equipas. Não digo que é a Liga perfeita, mas acho que os europeus deviam tomar mais atenção à qualidade que existe aqui e os clubes com menos possibilidades encontram facilmente jogadores adequados”, afirmou.

A cumprir o quarto ano pelo Columbus Crew, Pedro Santos é um dos cinco jogadores lusos a competir na MLS, a par de Nani e João Moutinho, ambos do Orlando City, além de Luís Martins e do luso-guineense Gerso Fernandes, do Sporting Kansas City, enquanto o luso-canadiano Marc Santos lidera os Vancouver Whitecaps.

“Nada falha neste campeonato e está sempre tudo ao dispor dos jogadores. Isso é bom para que os jogadores que estão aqui possam sentir-se numa Liga organizada, em que nos podemos focar só naquilo que importa”, valorizou o extremo, cujo contrato termina no final da época, podendo ser prorrogado pelos ‘aurinegros’ por mais um ano.

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