É absolutamente de louvar o jogo que o Lyon realizou frente ao Manchester City para os quartos de final da Liga dos Campeões. Não pelo resultado em si, mas pela coragem, pela concentração, pela abnegação e resiliência. Isto porque não é fácil estar a este nível mental durante os 90 minutos, sobretudo quando se joga contra uma das melhores equipas da Europa.

Segundo as estatísticas da UEFA, o City teve 67 de posse de bola enquanto o Lyon apenas 33. Numero total de passes 640 para o City e 255 para o Lyon, enquanto que a distancia total percorrida foi de 105,7 km para o City e de 114,8 km para o Lyon.

Podemos falar de erros estratégicos, de sistemas variados ou de aspetos técnicos específicos, a verdade é que, estamos mais próximo da vitória se tivermos esta atitude mental que o Lyon demonstrou em campo. Claramente que em fase defensiva revelou uma organização quase perfeita, onde a marcação à zona, por momentos se aproximou de uma marcação individual, abordadas sempre com um risco calculado. Talvez por esse motivo tenham percorrido cerca de 9 km a mais do que o City.

Portanto, o paradigma do jogo esteticamente bonito, da posse de bola, este padrão que a sociedade adota e que julga ser o mais adequado, nem sempre é o mais indicado para alcançarmos o êxito! O jogo de entre Lyon e City foi prova disso mesmo …

O que faltou ao City para quebrar a linha de cinco defesas do Lyon?

Acredito que o conceito de mover jogadores adversários é muito mais importante do que mover a própria bola. Procurar, dessa forma, efetuar desmarcações curtas ou longas em profundidade. E foi mesmo isto que faltou ao City, ‘estica’ a linha defensiva com desmarcações verticais através dos seus avançados, criando dessa forma mais espaço entre a linha defensiva e média do Lyon. Pois, por vezes, quem decide não é o homem com bola, mas sim aquele sem bola! Portanto, considero que houve uma preocupação exacerbada de jogar nessa zona específica mas, sem que primeiro se criasse esse mesmo espaço.

Desta forma, entendo que a realização do passe só é considerada eficaz se, durante a sua execução conseguires ‘saltar linhas ou homens’. Não adianta teres realizado o triplo de passes do adversário se os mesmos não conduzem ao perigo.

Para que isso aconteça, devemos antecipar o nosso processo de decisão (tempo), bem como antecipar o nosso movimento na zona de ataque (espaço). Como referimos na gíria futebolística, o realizar ‘meio toque na bola’ é fundamental para que consigas sair com êxito dessa pressão adversária. Daí, nos dias de hoje, a importância da correção e consolidação dos aspetos técnicos. Pois, é a partir destes que consegues dar seguimento à própria tomada de decisão, à real inteligência de jogo.

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